Passo a passo para organizar a vida financeira em 2021

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Crise em 2020 deu uma lição sobre a importância de manter reserva monetária e planejar o orçamento para evitar grandes danos. Educadoras financeiras ensinam como economizar

A diretora da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Cintia Senna, indica observar os últimos dois meses do extrato bancário e da fatura do cartão para traçar os objetivos.

 

 

“Observar como estão as contas, se tem alguma em atraso, como está o parcelamento, se tem muitas parcelas e compromissos para frente, mesmo que em dia. E o mais importante: sentar com a família e entender o que quer de 2021, o que pretende fazer de diferente, realizar coisas que acabou deixando de fazer em 2020. Porque esses propósitos e sonhos vão dar motivação para caminhar ao longo de 2021”, aponta.

Pondo em prática

Para a diretora do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (Ibef Ceará), Darla Lopes, a principal ferramenta para quem deseja organizar as finanças é o orçamento. O que, na prática, consiste na descrição de receitas e despesas pessoais ou da família pelo período de, pelo menos, um ano, afirma.

“É uma ferramenta muito conhecida das empresas, o orçamento. Funciona como uma espécie de previsão. O objetivo é que as pessoas consigam gastar menos do que ganham. Planejar mês a mês, de janeiro a dezembro, através de um histórico, criando duas categorias: recursos e despesas. E descrever mês a mês qual a previsão dessa conta, sempre buscando poupar parte das receitas para fazer reserva financeira”, especifica Lopes.

Para isso, o “sonho” aparece mais uma vez, também como ferramenta necessária. “É importante que a população possa conseguir se motivar para fazer esse orçamento, e, muitas vezes, a motivação vem através do sonho, seja de comprar um carro, apartamento, sair das dívidas. E, a partir daí, transformar em uma meta, fazer isso se tornar palpável. Se quero comprar um carro preciso saber qual o carro, onde vou comprar, quanto preciso poupar por mês e como fazer para poupar”, explica a diretora do Ibef.

Reserva

Com as dificuldades enfrentadas em 2020, grande parte na área financeira, a regra de ouro para o novo ano é ter reserva, diz Cintia Senna.

“O que nós vimos de 2020 é que não se aprendeu a construir essa reserva. Sempre se recebia hoje para pagar o que se fez ontem. Precisa começar a fazer o contrário, é olhar o que vou fazer pra frente. Aos poucos começa a separar, guarda em casa, num local que não vai poder mexer, deixa separado na conta poupança, não deixa na movimentação do dia a dia da conta-corrente”, ensina Senna.

Começar guardando o 13º salário é uma boa escolha, completa a diretora da Abefin. Para quem não tem essa opção, o caminho seria reduzir o padrão de vida mensal.

“De tudo que receber, uma parte começar a reservar como se fosse um compromisso, construir esse hábito de poupar uma parte de tudo que ganha, que seja 1 real, 10 reais, o que precisa é construir esse hábito”, reforça a especialista.

 

 

Formar hábitos

E como construir reserva financeira após um ano de tantos sacrifícios? “Muitas vezes, a pessoa não tem tudo contadinho, vai usando e não tem esse planejamento. Quando faço, sei para onde está indo meu recurso. Às vezes são gastos bobos que tenho durante o mês que, se evitar, vou conseguir maximizar a equação receita menos despesa e, assim, ela ficar positiva”, defende Darla Lopes.

A diretora do Ibef acredita ser possível economizar, mesmo para quem conta com poucos recursos, modificando alguns costumes caseiros. E aponta algumas medidas, como diminuir o uso de energia elétrica aproveitando a luz natural sempre que possível ou recorrer a lâmpadas econômicas; observar o consumo de energia dos eletrodomésticos; renegociar planos de assinatura de TV, internet e celular; reaproveitar a água da máquina de lavar para aguar plantas; reduzir o tempo de banho; planejar refeições por semana para evitar desperdício; e fazer cultivo de alimentos frescos em casa, por exemplo.

Renegociar gastos com taxas de bancos, cheque especial e plano de saúde também é um caminho para fazer economia, afirma a educadora Cintia Senna.

“As pessoas ainda não têm o conhecimento e hábito de ver se têm limite de cheque especial na conta que não vá precisar, que não saiba utilizar, porque é de pouquinho e pouquinho que vai indo juros. Tem que ver as taxas que estão sendo cobradas. O que é fixo, negociar, reduzir. Tem que ter uma atenção porque vão ter vários aumentos no início do ano, por exemplo, plano de saúde. Já entrar em contato, negociar, revisitar todas essas contratações. Às vezes, só nessas ligações a gente já consegue fazer uma economia. E com essa economia, já consegue fazer reserva”, ressalta.

Quitar dívidas

Em casos de inadimplência, Senna aconselha a não se apressar para quitar as dívidas se isso for eliminar o dinheiro de reserva. Considerando o quadro ainda existente de pandemia e as incertezas para o ano que chega, segundo a especialista, o melhor caminho é se resguardar.

“‘Tenho dívidas, não consegui pagar algumas, já estou com restrição no meu nome’: o primeiro ponto é parar e observar se tem reserva financeira e quanto tempo essa reserva mantém uma qualidade de vida mínima que seja, durante o ano de 2021. Se ainda não tem nada certo, principalmente o primeiro semestre, nesse momento, não é foco quitar. Entro naquilo: devo, não nego, pago quando e como puder. Preciso manter essa reserva para fazer frente, pelo menos, a algumas prioridades”, adverte a diretora.

São três as prioridades, segundo Senna: saúde, alimentação e educação. “De nada vai adiantar ficar com o nome perfeito e não ter condições de comprar minha alimentação, que teve um impacto alto da inflação. E na educação, não necessariamente é a educação formal, faculdade, ensino médio. Se estou desempregado, o que posso buscar? Às vezes, um curso rápido, algum conhecimento pra me ajudar a buscar uma nova fonte de renda. Preciso ter essa prioridade pra conseguir me alavancar, ter segurança e tranquilidade e, a partir disso, trazer novos recursos e, com o tempo, ir resolvendo essas dívidas”, direciona.

Diário do Nordeste

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