Na contramão do Brasil, PIB do Ceará avança 3,25%

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| RETOMADA | O resultado do 3º trimestre, ante o trimestre anterior, foi anunciado ontem pelo governador Camilo Santana (PT). Em igual período, o Brasil teve queda de 0,1% e entrou oficialmente em recessão técnica

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará no fechamento do 3° semestre apresentou crescimento de 3,25%, em relação ao trimestre anterior, entre abril e junho. O desempenho é bem superior ao do Brasil que teve no período a sua segunda queda consecutiva, de 0,1%, demarcando assim o início da recessão técnica do País. Para o ano, o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) projeta alta de 6,24%, acima dos 4,65% previstos para a economia nacional.

O anúncio foi feito ontem pelo governador do Ceará, Camilo Santana (PT), em live nas redes sociais. Ele explicou que mais detalhes sobre o resultado serão divulgados hoje pelo Ipece, que mostrará também o desempenho de cada setor econômico. Mas, os dados prévios mostram que os setores de Indústria (+5,04%) e Serviços (+1,34%) puxaram o resultado.

Quando os dados são comparados com os do 3º trimestre de 2020 – período em que o impacto da pandemia sobre a economia era mais agudo – a melhora é ainda mais expressiva. O PIB do Ceará deu um salto de 4,78%. Já o Brasil avançou 4% neste mesmo recorte. Nesse sentido, no Ceará, o destaque continua sendo Indústria (8,45%) e Serviços (5,33%).

“Desde o início da pandemia, tudo que fizemos foi priorizar a vida das pessoas, mas nunca esquecemos da preocupação com o emprego e renda dos cearenses. Seguimos com a preocupação de vacinar todos e estamos trabalhando para gerar mais emprego e renda para os cearenses, atraindo investidores e fazendo investimentos públicos“, afirma.

Para o economista membro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Davi Azim Filho, a balança comercial positiva do Ceará a partir da produção siderúrgica como grande base e a diversificação, com aumento da participação de outros segmentos, como o calçadistas, fizeram a diferença para o resultado.

Sobre os serviços, ele destaca que o avanço da vacinação, melhorando o aspecto sanitário, puxa para cima a cadeia do turismo, que tem um peso considerável na economia do Estado.

“(Por outro lado) O Brasil tem um perfil de exportação baseado nos produtos agrícolas e o que puxa o PIB são as commodities. E o Ceará tem ampliado suas pautas, de produção de produtos de ferro e aço e calçados. Neste ano a agricultura não foi tão bem por conta de problemas climáticos, nós tivemos uma queda importante. Também algumas políticas econômicas que não reverberaram junto aos investidores que buscam atratividade em outros mercados”, analisa Azim.

O quadro de recessão técnica do PIB brasileiro, após os tombos do 2° trimestre (-0,4%) e do 3° trimestre (-0,1%), já emitem um sinal de alerta de que algo não vai bem. A perspectiva é que o Brasil feche sem recessão de fato – de acordo com o Boletim Focus do Banco Central, a estimativa é da alta do PIB de 4,65% em 2021.

Mas, o quadro que se desenha com base em índices prévios é de que fechemos o ano em baixa. Conhecido como uma espécie de “prévia” do BC para o PIB, o IBC-Br na passagem de setembro para outubro fechou em queda de 0,4%. O dado serve mais precisamente como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses. O problema é que os dados da atividade econômica brasileira encolheram pelo quarto mês consecutivo.

Segundo avaliação de Rodolfo Margato, economista da XP, tendo por base o dado consolidado de outubro, o carrego estatístico para o 4° trimestre (ou seja, assumindo taxas de variação nulas em novembro e dezembro) exibe queda de 0,9% ante o 3º trimestre. A XP ainda projeta que o resultado do IBC-Br de novembro seja de alta de 0,4% entre outubro e novembro, o que atenua a previsão negativa.

“Por fim, nosso tracker – estimativa de alta frequência – para o PIB do 4º trimestre indica declínio de 0,2% em relação ao 3º trimestre, após ajuste sazonal. Em caso de materialização desta estimativa, que marcaria a terceira queda consecutiva do PIB na margem, a herança estatística deixada para o PIB de 2022 seria de -0,3 p.p., muito abaixo do esperado há alguns meses. A atividade econômica doméstica perdeu fôlego no período recente, com enfraquecimento disseminado entre os principais setores produtivos.” (Com Agência Estado)

Fonte: O POVO

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