Governo brasileiro prorroga a importação de etanol americano sem imposto

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Decisão é uma vitória para Donald Trump em ano eleitoral e contraria o pedido feito por produtores brasileiros do setor, que estão com estoques de etanol bem acima da média.

O governo Bolsonaro cedeu e renovou a importação de etanol dos Estados Unidos sem imposto. Uma vitória para o presidente americano, Donald Trump, em ano eleitoral.
Quinze dias depois de os Estados Unidos reduzirem a quantidade de aço que eles compram do Brasil com tarifas mais baixas, o governo brasileiro decidiu facilitar a entrada do etanol americano. Pelos próximos três meses, os produtores norte-americanos poderão vender até 187,5 milhões litros de etanol sem pagar imposto no Brasil.
Essa facilidade já existia, mas a regra tinha terminado em agosto. A cota foi renovada agora. A decisão contraria o pedido feito por produtores brasileiros do setor, que estão com estoques de etanol bem acima da média porque houve redução de consumo do combustível em decorrência do isolamento social necessário durante a pandemia.
“A cota é um sacrifício enorme para o produtor brasileiro neste momento em que os estoques estão muito mais altos do que no ano passado. E só tem sentido se o compromisso assumido pelo ministro Ernesto Araújo, de negociar um bom acordo para o açúcar brasileiro lá nos Estados Unidos, realmente se concretizar nesse prazo de três meses”, destaca Evandro Gussi, presidente da ÚNICA.
O Ministério das Relações Exteriores acredita que, nos próximos três meses, vai conseguir convencer o governo norte-americano a reduzir a taxa altíssima que é cobrada para permitir a entrada do açúcar brasileiro. Mas essa é uma negociação que o Brasil tenta fazer há décadas e que nunca deu certo.

Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV, diz que a decisão do governo brasileiro beneficia o presidente Donald Trump na disputa pela reeleição; e também mostra que o Brasil optou por apoiar os Estados Unidos em detrimento dos produtores nacionais.
“Essa decisão é um cálculo político, é uma tentativa de Bolsonaro demonstrar ao presidente americano que o Brasil é um forte aliado, porque essa inciativa traz benefícios muito concretos para Trump. O governo Bolsonaro tomou essa decisão para fortalecer a sua parceria aceitando assim uma situação pouco vantajosa para o agronegócio brasileiro”, destaca.
Cristiano Palavro, analista de mercado, lembra que, como os estoques de etanol estão altos, o preço para o consumidor não deve se alterado, mas a medida prejudica os produtores brasileiros.
“Não existe um risco de escassez do produto etanol aqui no mercado interno. Então o impacto ao mercado ocorre sim com essa tarifa de importação reduzida porque você dá acesso ao etanol americano de uma forma mais competitiva aqui no nosso mercado. Especialmente, por exemplo, para os estados do Nordeste”, afirma.

Fonte: Jornal Nacional

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