Dia Internacional da Mulher: É preciso resistir e florescer

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Mais do que celebrar o feminino, o 8 de Março é um dia internacional de luta inteiramente dedicado às reivindicações das mulheres, que ainda sofrem com o silenciamento, a discriminação, o assédio e a violência.

A história da organização das mulheres é bem antiga. Nos anos de 1600, com o aumento da fome na França, as mulheres organizaram diversas revoltas por comida. Eram os chamados Motins de Mulheres. As revoltas ocorriam não só porque as mulheres eram as responsáveis por garantir a alimentação, mas também porque grande parte das mulheres na Europa daquele período era impedida de trabalhar por salários.

A origem do 8 de Março é atribuída ao incêndio ocorrido em Nova York no dia 25 de março de 1911 na Triangle Shirtwaist Company, quando 146 trabalhadores morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens, que trouxe à tona as más condições enfrentadas por mulheres na Revolução Industrial.

Até o início do século 20, o voto, na quase totalidade dos países, era um direito exclusivo dos homens – especialmente de homens ricos. Somente há pouco mais de 80 anos as mulheres brasileiras conquistaram o direito ao voto, adotado em 1932, através do Decreto nº 21.076 instituído no Código Eleitoral Brasileiro, e consolidado na Constituição de 1934. Mas a luta pelo voto já havia começado muito tempo antes.

O 8 de Março é, portanto, um dia para promover transformações na vida das mulheres.

Recente pesquisa divulgada pela Oxfam aponta que as mulheres são a maioria das pessoas mais pobres do mundo. Isso não só porque o salário das mulheres são, em média, 20% mais baixo que o dos homens, mesmo desempenhando as mesmas funções, mas também porque 42% das mulheres não conseguem um emprego porque são responsáveis por todo o trabalho de cuidado em casa.

A violência contra a mulher é outro dado alarmante. Em 2019, apesar da queda de 6,7% nos homicídios dolosos de mulheres no Brasil, houve uma alta de 12% nos feminicídios – que são os crimes de ódio motivados pela condição de gênero.

Em nosso país, o avanço da agenda neoliberal e do autoritarismo, que retirou direitos de toda a classe trabalhadora, ameaça especialmente os direitos das mulheres. Elas são as mais atingidas pelo desemprego, pelos postos precários de trabalho e pela informalidade (IBGE, 2019).

Além disso, o desmonte das políticas públicas que dão autonomia às mulheres e lhes possibilita romper com o ciclo de violência vêm sofrendo cortes. Um dos maiores exemplos é o programa Minha Casa Minha Vida, que deu prioridade às mulheres (as casas financiadas ficaram no nome delas). Bem como o Bolsa Família, que teve a política de priorizar as mães para recebimento do benefício. Iniciativas como essa tiraram milhões de pessoas da pobreza e da extrema pobreza.

Hoje, as mulheres brasileiras continuam sendo discriminadas, violentadas – psicologicamente e fisicamente – menosprezadas e inferiorizadas. Neste contexto, a responsabilidade pela efetiva igualdade é de cada um de nós, mediante o combate à cultura machista e renovação da estrutura social, conferindo à mulher a sua devida posição: exatamente igual à que homem ocupa.

Neste 8 de Março, o Sindicato dos Fazendários do Ceará (Sintaf) parabeniza cada servidora fazendária por seu valor, seu empenho e sua força na construção de uma sociedade igualitária. E conclama todos e todas a resistirem e lutarem junto às mulheres do mundo inteiro contra toda forma de opressão, discriminação e violência. Não basta dar flores: é preciso que a nossa sociedade, finalmente, dê condições para que cada mulher possa florescer.

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