Conselho Sindical discute estratégias para paralisação dos fazendários, em outubro

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Conforme deliberado na última Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da categoria, ocorrida em 18 de setembro, os fazendários cearenses irão paralisar suas atividades por cinco dias, de 19 a 23 de outubro, com o objetivo de abrir um canal direto de negociação com o governador Camilo Santana. Para discutir os encaminhamentos da AGE, a Diretoria Colegiada realizou nesta segunda-feira (28), reunião extraordinária do Conselho Sindical.

A greve será realizada em protesto pelo não atendimento dos pleitos emergenciais dos fazendários: solução da ADI 5299; regulamentação do teto remuneratório; incorporação do piso do PDF; cálculo da média do PDF para aposentadoria; regulamentação do Ponto de Gestão; reestruturação da Sefaz e concurso público para todos os cargos da Secretaria.

Em sua fala inicial, o diretor de Organização do Sintaf, Lúcio Maia, expôs mais uma vez as ameaças que pairam sobre a remuneração dos fazendários – e que compõem a pauta de reivindicações. “Teto remuneratório, incorporação do Piso do PDF do servidor ativo para todos os fazendários, média do PDF para aposentadoria, reestruturação da Sefaz, concurso público para todos os cargos, ponto de gestão e ADI 5299. Tudo isso afeta diretamente todos os servidores fazendários ativos, aposentados e pensionistas”, asseverou.

O diretor Jucélio Praciano fez um histórico sobre a luta dos fazendários, lembrando os vários momentos em que o governo postergou os pleitos prioritários dos servidores: regulamentação do teto remuneratório e incorporação do piso do PDF. “Primeiro foi a reforma da previdência estadual, depois a greve dos militares, em seguida a pandemia. Somos carreira de Estado, mas não somos tratados dessa forma. O governo não tem assumido compromisso conosco e a Administração lavou as mãos. Nós temos que encontrar a solução – e é na luta”, conclamou.

“É preciso que repassemos aos nossos colegas tudo o que está acontecendo. A Sefaz não é o paraíso que se fala na versão oficial; temos que mostrar todas as más condições de trabalho que os fazendários enfrentam”, defendeu o diretor Kleber Silveira. “Enquanto o governo estadual alega não ter recursos financeiros para atender às demandas dos fazendários, há contratos de prestação de serviços que estão sendo pagos sem que o devido serviço seja prestado ao Estado. Não deveria ser o Sintaf a evidenciar isto para conseguir o que é justo para nós. Mas infelizmente isso se faz necessário, já que ao longo dos anos as nossas demandas foram reprimidas”, denunciou.

Dificuldades se agravam

Os delegados sindicais presentes relataram as dificuldades que vêm se agravando ao longo do tempo, como a falta de pessoal, infraestrutura inadequada, más condições para descanso nos alojamentos, falta de capatazia, cobrança exacerbada por metas, dentre outros. “Está na hora de mostrarmos que temos força e que precisamos ser respeitados por este governo que aí está”, afirmou um dos delegados sindicais. “Temos que mostrar aos colegas o que está acontecendo conosco. Alguns ainda não acordaram para as dificuldades do presente e do futuro”, alertou outro servidor.

O tamanho da indignação

Para o diretor Carlos Brasil, o tamanho da greve dos fazendários será o mesmo da indignação. “Vamos chamar os colegas para focar na luta sindical. Enquanto discutíamos nos grupos de whatsapp, perdemos a pensão para nossas viúvas, perdemos o direito de incorporar o piso, não tivemos o nosso teto regulamentado. Não dá mais para engolir a desculpa de que o governo precisa ver como vai se comportar a arrecadação antes de implementar nossos pleitos”, declarou.

Atividade fim em segundo plano

Diante dos relatos em que as atividades de fiscalização vêm sendo relegadas a segundo plano, o diretor de Organização, Lúcio Maia, ressaltou que o objetivo da Administração Fazendária é limitar a atividade de fiscalização da Sefaz, que é uma das mais importantes atividades do Fisco Estadual . “Não podemos deixar isso acontecer; essa é diretriz de Estado Mínimo. Com isso, a tributação, a arrecadação e a fiscalização ficam em segundo plano em detrimento dos benefícios a serem concedidos à sociedade cearense”, afirmou Lúcio.

Comando de greve

Ao final da reunião, foi formado o comando de greve com equipes que irão inicialmente mobilizar as unidades da capital, região metropolitana e interior do Estado. “Nosso objetivo é conscientizar os colegas sobre a gravidade do momento. Não seremos omissos. Ou revertemos o quadro agora ou será tarde demais”, argumentou Lúcio Maia.

 

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