Fusão de ministérios é vista com cautela por líderes empresariais

486


Por Bruno Cabral


 


Fim de Pastas que tratam exclusivamente de alguns setores produtivos foi anunciado pela equipe de transição montada pelo presidente Bolsonaro


Embora a redução de ministérios proposta pelo presidente eleito Jair Bolsonaro seja vista com bons olhos pelo setor produtivo, a maneira como será posta em prática é motivo de dúvidas entre representantes de algumas categorias. A criação do super superministério da Economia (junção de Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio Exterior), por exemplo, poderia gerar conflito de interesses, analisa Beto Studart, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).


“Durante a campanha, o candidato prometeu fazer uma redução de custos e desburocratizar, então, neste sentido, a redução de ministérios é importante”, diz Studart. “Mas, olhando pelo lado da indústria, acho que juntar esses três ministérios não é uma relação boa, porque de um lado você tem uma fonte arrecadadora de impostos (Fazenda) e do outro você tem a indústria, que demanda diminuição de impostos para ter competitividade em relação aos seus pares internacionais. Então existe um conflito de objetivo”.


Apesar disso, Beto Studart acredita que a equipe do governo eleito ainda esteja estudando de que forma fará a redução de Pastas. “Diminuir de 29 ministérios para 15, acho fantástico. Mas estamos no primeiro momento, quando as coisas são colocadas e o governo vê a repercussão”, diz. O superministério ficaria sob comando de Paulo Guedes.


Agricultura


Outro superministério, que sairia da fusão entre Ministério da Agricultura com o Meio Ambiente, também provocou reações antagônicas. Bem recebida pelo mercado, a medida foi vista com preocupação por ambientalistas, que afirmam que a decisão poderá provocar o aumento de desmatamento no País. Para Tom Prado, coordenador do Grupo Técnico de Fitossanidade da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), no entanto, a possível fusão não deverá gerar conflitos de interesses. “A gente tem que pensar no nosso objetivo. O País tem que ter competitividade e, ao mesmo tempo, respeitar a legislação e as regras internacionais. Isso ser feito com um ministério em conjunto não vejo como prejudicial”, avalia.


Varejo


Sobre a redução de ministérios, Honório Pinheiro, vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Fortaleza e ex-presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) acredita que a iniciativa trará benefícios ao País, mas que o processo deve ser feito com cautela.


“O Estado tornou-se muito oneroso e precisa ser reduzido. O que resta saber é como fazer isso para que não deixe de funcionar. Mas acredito que dá para reduzir bastante”, afirma.