Vale suspende pagamento de dividendos e bônus após rompimento de barragem

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Por Folhapress


A barragem rompida em Brumadinho faz parte do complexo da Paraopeba, que produziu 7,3 milhões de toneladas de minério no terceiro trimestre de 2018


A Vale suspendeu o pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio, a recompra de ações de sua própria emissão e os pagamentos de remuneração variável a executivos.As medidas ocorrem após o rompimento de sua barragem de mineração em Brumadinho (MG), na última sexta-feira (25).


O Conselho de Administração da empresa criou ainda dois Comitês Independentes de Assessoramento Extraordinário: um para acompanhar as providências destinadas à assistência às vítimas e à recuperação da área atingida pelo rompimento da barragem, e outro destinado à apuração das causas e responsabilidades pelo rompimento da barragem.


Na última sexta-feira (25), data da tragédia, os recibos de ações (ADRs) da empresa negociados na bolsa de Nova York despencaram 8%.A Bolsa brasileira esteve fechada devido ao feriado do aniversário da cidade de São Paulo.


A barragem que se rompeu em Brumadinho faz parte do complexo Paraopeba, que produziu 7,3 milhões de toneladas de minério do terceiro trimestre de 2018, dado mais recente divulgado pela companhia. O volume representa 7% da produção total de minério de ferro da Vale no período.


Analistas ouvidos pela reportagem afirmam que, mais do que um dano financeiro, a empresa sofrerá com o desgaste de sua imagem. Entre as consequências que deverão ser enfrentadas pela companhia estão a maior dificuldade para atrair bons profissionais e obter investimentos.


No cenário internacional, há potencial para contaminar todo o mercado de mineração no Brasil, pelo fato de ter acontecido pouco mais de três anos após o desastre de Mariana (MG).A agência de classificação de risco S&P anunciou neste sábado (26) que poderá rebaixar a nota da Vale em vários degraus em razão das implicações financeiras do desastre.


A Vale recebeu três pedidos de bloqueios de valores de suas contas, totalizando R$ 11 bilhões. Eles vieram da Justiça de Minas Gerais, da Advocacia Geral do estado e do Ministério Público.


Até a madrugada desta segunda (28), 58 corpos haviam sido localizados, dos quais 19 identificados. Havia 305 desaparecidos e 192 resgatados.