Servidores discutem reestruturação do Trânsito de Mercadorias em workshop

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Servidores lotados nas diversas unidades do Trânsito de Mercadorias participaram, nesta quarta-feira (16/10), na sede da Fundação Sintaf, de um workshop promovido pelo Sintaf para discutir e apontar diretrizes para a reestruturação da área. Com coordenação do diretor Carlos Brasil, o encontro contou com palestra do economista e supervisor técnico do Dieese no Ceará, Reginaldo Aguiar. Ele abriu o workshop refletindo sobre os “Desafios e perspectivas em um contexto de mudanças”.
Aguiar abordou as transformações no contexto mundial, desde a crise do capitalismo, em 2008, passando pela revolução da logística, o crescimento da China como potência global, a direitização da política até a revolução tecnológica. Com isso, os direitos passaram a ser encarados como mercadoria. “É um processo rápido, de mudanças profundas, que afeta todo o mundo”, enfatizou.
Diante das fábricas inteligentes, a Internet das Coisas e a inteligência artificial, a perspectiva é de uma queda vertiginosa na oferta de emprego. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 55% dos empregos correm risco elevado ou muito elevado de automação até 2046. Além disso, 35 milhões de trabalhadores formais correm o risco de perder seus empregos para a automação até 2026. “Os que têm menos qualificação serão banidos do mercado de trabalho”, apontou.
No contexto brasileiro, o economista ressaltou que a PEC do teto limitou gastos públicos, a lei da terceirização ampliou a precarização, a reforma trabalhista transformou o trabalho em mercadoria de vez, o atual governo busca implementar um programa de privatizações e reforma da previdência, em curso, deverá excluir milhões de brasileiro do direito à aposentadoria.
“Qual o nosso papel nesse novo mundo? Qual o movimento sindical que iremos construir nesse novo cenário?”, questionou o economista, destacando que outro mundo é possível.
Tecnologia é instrumento
Para o diretor do Sintaf, Marlio Lima, o crescimento tecnológico é exponencial. “Não adianta se contrapor. É uma tendência. A tecnologia é um instrumento, um meio para atingirmos os nossos objetivos”, salientou. “No entanto, não adianta o aparato tecnológico sem as pessoas para interpretar os dados, mapear os problemas e apontar soluções. Isto a máquina não faz”, completou.
O diretor, que é lotado na TI, enfatizou ainda que há muitos processos que carecem de inovação no Trânsito. “A tecnologia pode nos ajudar a detectar cenários de fraudes, identificar os contribuintes que estão trazendo prejuízo ao erário”.
Demandas específicas
Ainda no período da manhã, durante as discussões, os servidores relataram dificuldades e expectativas. Dentre elas, os entraves na implementação do CIOF, a falta de visão integrada das atividades, dificuldade de acesso às informações dos contribuintes e a desvalorização do Trânsito ao longo do tempo. Alguns reclamaram que não foram ouvidos nesse processo de reestruturação. “Temos deficiências técnicas e tecnológicas. É importante discutir sobre as condições de trabalho e saúde dos servidores do Trânsito, que inclusive foi objeto de um estudo do Sintaf em parceria com a Unifor”, sublinhou Edilson Teixeira, do P.F Penaforte.
“Por força da atividade sindical, percorri todos os postos fiscais de fronteira e intermediários. As más condições de trabalho persistem na maioria dos postos e, por essa razão, precisamos lutar por melhorias em nosso ambiente de trabalho. Outro aspecto que nos preocupa é a carência de servidores nas unidades. Por isso defendemos concurso público”, evidenciou o diretor Carlos Brasil, reforçando que o Sintaf continuará lutando por estas demandas.
No período da tarde, os servidores se dividiram em grupos e formalizaram as propostas para a construção de um novo Trânsito de Mercadorias. Dentre elas, planejamento estratégico operacional, integração de áreas, padronização de atividades, melhoria contínua dos sistemas e tecnologia, treinamento e concurso público.
O Sintaf irá produzir um relatório em conformidade com os diagnósticos e propostas apontadas pelos participantes do workshop, que será posteriormente apresentado à categoria em seminário a ser realizado em novembro.
Soluções urgentes
Independentemente das discussões, a Diretoria Colegiada entende que algumas demandas do Trânsito, consideradas mais urgentes, poderiam ser solucionadas de modo tempestivo pela Administração Fazendária, tais como a recuperação da estrutura dos postos fiscais, a criação dos cargos de chefia nestas unidades e a definição da nova estrutura de fiscalização do Trânsito de mercadorias na Região Metropolitana.
Depoimentos
“É importante a participação hoje, aqui, daqueles que são os atores da fiscalização, que estão no dia a dia convivendo com as deficiências. Esperamos que a Administração se sensibilize e implemente as sugestões que apontamos aqui, para que possamos prestar um melhor serviço à sociedade” – Fernando Sérgio, lotado no CIOF região metropolitana
“O objetivo do workshop é pensar as atividades do Trânsito para melhorar o contexto de modernização, gestão de pessoas e da melhor condução das nossas atividades, para que possamos trabalhar com mais eficiência, mais cuidado, mais profissionalismo e mais integração” – Iara Palácio – P.F. Crato
“Acho importante a participação na construção de uma visão de Trânsito que traga benefício para a Sefaz, com foco na melhoria dos serviços para a sociedade. Importante ouvir a base, a opinião de quem realmente executa e sabe das dificuldades do dia a dia na fiscalização do Trânsito e no atendimento ao cidadão” – Claúdia Bastos – CEFIT/SANFIT
“Estamos vendo o Transito como um processo, um projeto. Estamos aqui debatendo sem medo, sobre erros e acertos, procurando contextualizar para atingir o melhor. As pessoas que aqui estão querem deixar essa marca, esse espaço de construção. Com certeza o resultado será um documento de alto nível” – Flaviano Mariano – CEFIT

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