Sem reajuste da Petrobras, gasolina sobe R$ 0,50 em Fortaleza

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|Postos| Alta não foi identificada pela Agência Nacional de Petróleo na última semana, mas já impacta bolso dos condutores

Quem precisou abastecer o seu veículo em Fortaleza na última semana já sentiu o aumento da gasolina na bomba, que saltou cerca de R$ 0,50, chegando aos R$ 4,99.

A realidade das ruas, porém, não foi observada pela pesquisa semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), feita entre os dias 2 e 8 de outubro, que traz a informação de queda nos preços dos combustíveis.

Segundo os dados, o preço do litro da gasolina comum no Ceará teria caído R$ 0,02, em relação à pesquisa da semana anterior. Com isso, o valor médio apontado é de R$ 4,71. Esta seria a 15ª semana de queda no Estado.

“Movimento do mercado”

A diferença de preços é vista pelo assessor de Economia do Sindipostos, Antônio José Costa, como um “movimento do mercado”, que leva em conta o preço que está sendo usado pelas distribuidoras independentes, que possuem 30% do mercado de combustíveis no País.

“Dependendo que quem o posto compra, ele repassa o valor que está pagando. Como as distribuidoras independentes não tem a obrigação de informar os preços praticados, acabamos que não temos uma informação oficial para passar”, explica Costa.

Porém, ele atribui o aumento sentido ao movimento do mercado internacional que teve alta no valor do barril de petróleo bruto, de U$ 83 para U$ 97, nos últimos dias. Já no Brasil, ele lembra que o barril chegou a custar R$ 88 e já voltou ao patamar dos R$ 90.

“Economia é especulação. As pessoas precisam entender que os postos de combustíveis são, apenas, repassadores de custo”, ressaltou o assessor de Economia do Sindipostos, lembrando ainda que no Nordeste há uma refinaria privada, na Bahia, “que também influencia nos preços praticados em toda a região”, afirmou.

Política de paridade força alta

O consultor na área de Petróleo e Energia, Ricardo Pinheiro, destaca que os novos valores praticados pelos postos de combustíveis podem se dar por todas as despesas que os empreendimentos possuem, que vão para “além do preço do combustível que vem da Petrobras”.

Ele comenta que o congelamento da Petrobras, nesta semana, ou no mais tardar, na próxima, deve ser retirado, para que se pratique a política de paridade internacional de preços.

“O valor do petróleo subiu demais no mercado internacional e isso deve refletir nas próximas duas semanas no Brasil. Se não ocorrer, podemos analisar que o preço da gasolina estará sendo usado para controlar a inflação e como moeda política com relação a imagem do presidente (Jair Bolsonaro, candidato a reeleição).”

Ricardo estima que o valor dos combustíveis, seguindo os padrões internacionais, deve ter um aumento entre 15 e 17%, fazendo a relação com o aumento que teve o barril do petróleo bruto, nos mercados dos Estados Unidos e na Europa, passando de U$ 83 para U$ 97.

Ele ainda foi além, lembrando que a prática de congelamento dos preços dos combustíveis e, por consequência, o repasse dos prejuízos dessa prática à Petrobras já foi praticado em outros momentos, usando como exemplo o governo da Presidente Dilma Rousseff.

A pesquisa da ANP

Na última pesquisa da ANP foram registrados os preços de 46 postos de combustíveis no Estado, que oscilaram entre R$ 4,48 e R$ 5,09. Já a gasolina aditivada, analisada em 41 estabelecimentos, teve o preço médio de R$ 4,98, com o mínimo de R$ 4,55 e o máximo R$ 5,49.

Os números divulgados nessa semana mantém o Ceará em terceiro lugar com o preço mais barato do litro de gasolina do Nordeste, ficando atrás apenas do Maranhão e de Pernambuco.

É a 15ª semana de queda seguida nos combustíveis em todo o País. A baixa iniciou no fim de junho, após o Governo Federal ter sancionado a lei que limitava o ICMS a 17% em todo o Brasil.

Nos meses seguintes, os preços seguiram caindo em função das reduções nos preços praticados pela Petrobras em suas refinarias. Que, aos poucos, de forma lenta vai chegando nas bombas de combustíveis e no bolso do consumidor final.

Etanol

Em relação ao valor do litro do Etanol, pesquisados em 47 postos de combustíveis, o valor médio no Ceará é de R$ 4,04, registrando também uma queda de R$ 0,02 em relação à semana passada. O preço mínimo encontrado foi de R$ 3,39 e o máximo de R$ 4,87.

Gás de cozinha

O gás de cozinha de 13 kg foi pesquisado em 17 estabelecimentos e registrou um valor médio de R$ 114,29. Uma queda de R$ 0,75 em relação ao registrado na semana anterior. O valor mínimo foi de R$105,00 e o máximo de R$ 127,00.

Qual o valor da gasolina no Brasil?

No Brasil, a gasolina comum nas bombas caiu 0,4%, saindo de de R$ 4,81 para R$ 4,79, mantendo a queda pela 15ª semana consecutiva.

Desde o pico histórico de R$ 7,39, registrado na penúltima semana de junho, a gasolina já recuou 35% nos postos. A trajetória de queda começou em 24 de junho, quando o governo federal sancionou a lei que limitou o ICMS incidente sobre combustíveis a 17% em todo o País.

Depois, nos meses de julho, agosto e setembro, os preços seguiram caindo em função de quatro reduções seguidas nos preços praticados pela Petrobras em suas refinarias, que são aos poucos repassadas às bombas pelos varejistas. Como a Petrobras não reduziu a gasolina nas últimas semanas, os preços estão mais próximo da estabilidade.

Com a Petrobras voltando a praticar valores abaixo do preço paridade internacional, que subiu em função da alta do insumo no exterior, é improvável que a estatal dê novos reajustes para baixo no curtíssimo prazo. Essa estabilidade nos preços finais ao consumidor tende, portanto, a se consolidar.

Antes do movimento baixista dos últimos três meses, porém, a gasolina acumulava alta de 70,6% nos postos desde o início do governo Jair Bolsonaro (PL), em janeiro de 2019. Assim, os esforços do governo para reduzir preços à beira das eleições, facilitados pelo recuo da cotação internacional do petróleo, ainda não compensaram a escalada experimentada nos primeiros três anos e meio de governo.

Diesel

Esta semana, informou a ANP, o preço médio do diesel S10 nos postos brasileiros voltou a cair de forma significativa, para R$ 6,67 ante os R$ 6,73 registrados na semana anterior, um recuo de 0,9%. Essa leve retração na ponta ainda está relacionada à redução de 5,7%, ou R$ 0,30 por litro, no preço praticado pela Petrobras em suas refinarias, em 20 de setembro.

Desde a semana em que foi imposto o teto de 17% no ICMS, em 24 de junho, o diesel S10 foi reajustado para baixo nas refinarias da Petrobras em três ocasiões. Nos postos, assim como a gasolina, esse combustível também caiu por 14 semanas seguidas e, agora, acumula queda de 13,1% no preço médio do litro, que variou de R$ 7,68 no início do ciclo para os atuais R$ 6,67.

Gás de cozinha

Já o botijão de 13 quilos de gás de cozinha (GLP), produto consumido amplamente pela população, foi vendido a R$ 110,62 esta semana, redução de 1,3% ante o preço da semana passada, de R$ 112,13.

O preço do botijão vinha em alta no varejo até o início da semana passada, mas caiu como consequência das duas reduções realizadas pela Petrobras nas refinarias, em 13 e 22 de setembro.

(com Lennon Costa)

Fonte: O Povo

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