Reforma pesará mais ainda para as mulheres

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COLUNA DA NEILA FONTENELE | O POVO


 


O nível de renda na aposentadoria, do ponto de vista econômico, é consequência das escolhas feitas ao longo da vida. Essa máxima, entretanto, não é tão simples no Brasil, com uma herança de desigualdade social que massacra gerações. E quando se fala da situação feminina, o quadro ainda é mais complicado.


Mesmo com todos os ganhos ocorridos nas últimas três décadas, a situação das mulheres assalariadas está longe de uma situação ideal. Pelos dados da Pnad contínua, apresentada no quarto trimestre de 2018, apesar da modernização dos costumes e do aumento da participação feminina no mercado de trabalho, o envolvimento das mulheres na atividade produtiva é de 52,7%, enquanto a dos homens é de 71,5%.


As mulheres, comumente, também estão em ocupações menos valorizadas socialmente do que os homens e ganham 28,8% menos que os homens. Diante disso, como fica a previdência?


O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) publicou sexta-feira uma nota técnica com uma análise do impacto da reforma da previdência na vida das mulheres assalariadas.


Uma das conclusões é a seguinte: como as mulheres, em média, ganham menos e contribuem com valores menores e por um menor tempo, consequentemente recebem menos. Com as mudanças propostas, caso aprovadas, a situação tende a se agravar e se estará criando caminho para um maior achatamento da renda.


RETROCESSO NA ÁREA SOCIAL


O documento do Dieese mostra em números a possibilidade de um grande retrocesso em questões como proteção social e bem-estar das gerações futuras de mulheres, com o aprofundamento das desigualdades de gênero.


Os argumentos são relevantes. Pelo estudo, a ampliação do tempo de contribuição exigido para o acesso ao direito à aposentadoria (de 15 para 20 anos) intensificará ainda mais as dificuldades enfrentadas para o cumprimento dessa exigência, principalmente na área rural, onde a informalidade é ainda maior.