Prévia do PIB brasileiro alcança 2,45% em 2023

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O IBC-Br, indicador utilizado pelo Banco Central para acompanhar a atividade econômica no país, mostra que, no ano passado, quase todos os setores produtivos melhoraram, com exceção para o varejo

O Banco Central (BC) aponta que a atividade econômica no Brasil cresceu 2,45% em 2023. O Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), divulgado ontem pela autoridade monetária, revela que, apesar do avanço, o ritmo de crescimento desacelerou em relação a 2022, quando houve uma melhora ainda mais intensa, de 2,77%.

O indicador é considerado a “prévia do Produto Interno Bruto (PIB)”, uma vez que os dados oficiais do PIB — o conjunto de bens e serviços produzidos no país durante um período — são divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IBC-Br é usado pelo BC para monitorar o ritmo da atividade econômica no Brasil.

De novembro para dezembro, o índice de atividade calculado pelo BC passou de 146,43 pontos para 147,63 pontos na série dessazonalizada. O resultado é o pior desde abril do ano passado, quando o indicador pontuou 148,93.

Acima do esperado

“O IBC-Br do ano veio melhor que o esperado pelo mercado, e o grande ponto de destaque foram as variações positivas em quase todos os setores da economia, exceto o varejo, que ainda colhe consequências da elevada taxa de juros. Acredito que boa parte do resultado positivo acabou sendo ancorado com o arrefecimento da inflação”, ressalta o analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima.

Na visão do CEO da Box Asset Management, Fabrício Gonçalvez, o resultado do índice pode trazer mais confiança ao mercado. “O resultado acima das expectativas pode aumentar a confiança dos investidores na economia brasileira, refletindo-se em um maior apetite ao risco e aumento dos investimentos”, comenta.

O intervalo das estimativas feitas pelos analistas de mercado ia de alta de 0,10% a crescimento de 1,70%. Já na comparação entre os meses de dezembro de 2023 e de 2022, houve crescimento de 1,36% na série sem ajustes sazonais. Esta série registrou 144,13 pontos no último mês do ano passado, o melhor desempenho para o mês desde 2014, quando ficou em 145,48 pontos.

O indicador de dezembro ficou bem acima da mediana de avanço de 0,55%, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo pesquisa do Projeções Broadcast. As expectativas coletadas no levantamento variavam de queda de 0,40% à elevação de 2,90%.

Recuperação

O economista Vinícius do Carmo lembra que o IBC-Br é uma ferramenta crucial para compreender o ritmo de crescimento da economia brasileira. O índice funciona como uma estimativa preliminar do PIB e considera uma extensa variedade de indicadores econômicos. Para o economista, os dados divulgados nesta segunda sugerem uma recuperação econômica, refletida também na comparação com o mesmo período do ano anterior.

“No entanto, o recuo no último trimestre de 2023 pode sinalizar uma perda de fôlego neste processo. Isto é, até aqui a economia brasileira tem se recuperado com mais vigor do que boa parte dos analistas esperava, contudo este fôlego parece que está se esgotando e o crescimento esperado se dará cada vez a taxas menores”, avalia o economista.

Incerteza

Para o doutor em Economia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Benito Salomão, mesmo sendo considerado a ‘prévia do PIB’, ainda é cedo para afirmar que o resultado divulgado pelo Bacen seja, de fato, próximo ou equivalente ao dado real da atividade economia brasileira em 2023. Ele acredita que só será possível ter certeza do valor real do PIB brasileiro, no mês de maio, de acordo com o calendário tradicional do IBGE, que divulga os dados.

“É lógico que nós ainda temos que ver como que o PIB vai se comportar, mas é um bom crescimento para a economia brasileira, que reflete, em grande medida, esse bom momento que a economia vem passando. Quando os dados dos primeiros meses de 2024 começarem a ser divulgados, poderemos ver como que a economia vai performar”, avalia o doutor.

O Banco Central também revisou dados do IBC-Br na margem, na série com ajuste. Para novembro, o indicador passou de +0,01% para 0,09%. O resultado de outubro passou de -0,18% para 0,05%, enquanto o de setembro passou de -0,03% para 0,03%. O indicador de agosto passou de -0,68% para -0,57%. Em relação a julho, passou de 0,36% para 0,31%. O resultado de junho, por sua vez, passou de 0,33% para 0,26%.

*Estagiário sob a supervisão de Edla Lula

Fonte: Correio Braziliense

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