Parlamentares divergem sobre prorrogação de decreto estadual

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Enquanto a maioria defende a manutenção do isolamento social, apontando o mês de maio como o do pico da pandemia no Estado, alguns querem um abrandamento do confinamento, com a retomada gradual do comércio

A renovação do decreto estadual que proíbe o funcionamento de atividades não essenciais no Estado por mais 15 dias e o endurecimento das regras de isolamento social em Fortaleza repercutiram entre parlamentares cearenses. A maioria dos entrevistados pelo Diário do Nordeste apoia a decisão do governador Camilo Santana (PT), diante do aumento do número de casos de infecção pelo novo coronavírus no Ceará. Alguns, por outro lado, defendem uma nova reestruturação das medidas, sob o argumento de amenizar impactos econômicos.

No Legislativo Estadual, parlamentares da base do chefe do Executivo reforçam a importância da decisão do governador de renovar o decreto, principalmente em um momento de ascendência da epidemia no Ceará. O líder do Governo Camilo na Assembleia Legislativa, deputado Júlio César Filho (Cidadania), por exemplo, considera “essenciais” as medidas tomadas para tentar diminuir a quantidades de mortes causadas pela doença. “Adotar medidas de isolamento social mais rigorosas neste momento é essencial para salvar a vida de centenas de cearenses. A medida, já adotada em outros países, colaborou para conter a curva de contágio da doença”.

Para o deputado Acrísio Sena (PT), a situação do Estado é grave e o isolamento social precisa ser mantido. “São (medidas) tomadas levando em consideração os critérios científicos para o bem de toda população. No mundo inteiro, os exemplos recomendados pela OMS mostram que esta é a melhor alternativa para superar a pandemia”, destaca.

De oposição, Delegado Cavalcante (PSL) faz coro a pressões pela reavaliação de medidas. “Não sou contra o isolamento social, mas acho que têm que haver outras medidas. Os mercantis não estão abertos e lotados?”, indaga. Ele defende que, para minimizar perdas econômicas, alguns setores voltem à ativa. “A construção civil entregou um plano maravilhoso para reabrir aos poucos”, cita.

Aglomerações

Decreto municipal também publicado ontem pelo prefeito Roberto Cláudio (PDT) proíbe aglomerações de pessoas em espaços públicos ou particulares de Fortaleza, incluindo a realização de feiras. O deslocamento a estabelecimentos que prestam serviços essenciais ou cujo funcionamento está autorizado nos termos da lei está permitido.

Diferentemente de Cavalcante, o deputado Renato Roseno (Psol), que também é da oposição, defende que o replanejamento de medidas é necessário para fazer cumprir o isolamento social. “O isolamento, até agora, é a única medida que pode achatar a curva de contaminação. O sistema (de saúde) já está em colapso. Eu acho que seria muito vantajoso agregar ao comitê de crise interlocutores das comunidades, para que reforcem a manutenção do isolamento”.

Bancada federal

Na bancada federal cearense, as opiniões sobre as medidas também são divergentes. Vários admitem a importância do isolamento, enquanto outros cobram que haja um abrandamento gradativo do confinamento.

O deputado Heitor Freire (PSL) reconhece a situação crítica do Estado, mas fala em um retorno gradual das atividades. “Precisamos de medidas urgentes para conter essa pandemia. Salvar vidas sempre em primeiro lugar. Porém, eu continuo cobrando ao governador um plano estadual para o retorno gradativo das atividades comerciais e das igrejas”, pondera.

Já para o líder da oposição na Câmara, deputado André Figueiredo (PDT), o mês de maio é apontado como o de pico de casos no Estado e, mesmo sabendo disso, “algumas pessoas” têm incentivado a quebra do isolamento social.

“Os estudos mostram que, no fim do mês de maio, nós chegaremos ao pico da curva de casos de coronavírus. E é lamentável que algumas pessoas, influenciadas pelo discurso do presidente, descumpram o isolamento. As curvas da pandemia estão sendo atenuadas mais por desrespeito a essas medidas. Além disso, é lamentável as aglomerações nas instituições financeiras. Como depois de três semanas ainda tem gente que não recebeu o auxílio (emergencial de R$ 600 do Governo Federal? Isso é absurdo”, aponta.

Eduardo Bismarck (PDT) também defende a renovação do decreto. “Medidas mais duras certamente são baseadas em estudos e no avanço da doença. Tudo isso no intuito de salvar vidas, mas principalmente de sairmos mais rápido da crise”, afirma. O deputado Capitão Wagner (Pros), apesar de opositor a Camilo, também diz ser “a favor de qualquer decisão que preserve as vidas”. “Esperamos que o governador tome suas decisões baseado em orientação técnico-científica. Não devemos partidarizar a crise!”.

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