O que pode melhorar na economia do Ceará

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Estudo Farol da Economia, divulgado pelo Ipece, mostra melhora dos indicadores econômicos do Estado para esta reta final de 2019


Por Irna Cavalcante


Apesar de os últimos indicadores econômicos da indústria, do varejo e dos serviços no Ceará permanecerem no vermelho e a incerteza da economia nacional ter voltado a crescer em setembro, assim como aconteceu em agosto, a perspectiva é de melhora da economia nesta reta final de 2019. É o que mostra o estudo Farol da Economia, divulgado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). O documento faz a análise a partir da compilação de diversos indicadores econômicos.


Neste cenário, a intenção de consumo das famílias passou de 91,4 para 92,5 pontos, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Enquanto o Índice de Confiança do Consumidor (ICC-BR), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV), encerrou setembro em 89,7 pontos, uma alta de +0,5 ponto frente a agosto e 0,8 ponto acima da média do período.


Além disso, a diretora de Estudos de Gestão Pública do Ipece, Marília Firmiano, explica que mesmo com queda de 1,5% da produção industrial cearense em julho, a terceira consecutiva ante mês imediatamente anterior e em taxas acima das observadas no País (-0,3%), é possível prever uma tendência de melhora quando comparado com igual mês de 2018 (1,9%). No acumulado do ano, o saldo também é positivo (2,9%).


 “Se avaliar a evolução do emprego no Ceará, houve uma variação positiva de 0,49% nos últimos doze meses. O Ceará também tem se mostrado estável em relação às contas públicas, o que é muito positivo para atração de investimentos, ainda mais se comparado com outros estados do País”, afirma.


Ela reforça que os indicadores de atividade econômica medidos pelo Banco Central mostram que o Brasil retomou o processo de recuperação gradual da economia. E que fatores como a inflação controlada, taxa de juros em baixa, liberação dos recursos FGTS e do Pis/Pasep e a continuidade das reformas, devem contribuir para a aceleração do crescimento nos últimos meses de 2019. “O que deve impactar principalmente setores como comércio e serviços.”


Para o economista Mário Monteiro, é muito factível que tanto o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro como o cearense encerrem o ano em alta. Mas ainda será um crescimento muito tímido. Até porque, na avaliação dele, não há nada que aponte para uma disrupção mais forte da economia. E fatores como a guerra comercial entre Estados Unidos e China é um ponto forte de preocupação.


“Ao que tudo indica será um crescimento modesto, em torno de 1%, mas claramente insuficiente para promover uma recuperação mais substancial do nível de emprego.”


Além disso, ele reforça que cada vez mais o desemprego no Brasil é estrutural. E com a inovação tecnológica, muitos dos 13 milhões de desempregados não vão conseguir voltar para o mercado por conta da baixa qualificação. “E temos que considerar que na crise a desigualdade aumentou significativamente. O que torna mais difícil uma recuperação mais sólida da economia”, avalia.


Mercado


O desempenho das ações do setor financeiro e da Petrobras garantiu mais uma alta do Índice Bovespa, que renovou ontem seu recorde histórico nesta pelo terceiro pregão consecutivo.