Governo avalia rever divisão de dividendos da Petrobras

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| RUÍDO NO MERCADO | Aceno foi feito pelos ministros da Fazenda e de Minas e Energia, após reunião com Lula e Prates e três dias consecutivas de queda nas ações da estatal

No terceiro dia de queda nas ações da Petrobras, os ministros da Fazenda e de Minas e Energia, Fernando Haddad e Alexandre Silveira, afirmaram em entrevista coletiva que a decisão do conselho da estatal em reter o pagamento de dividendos extraordinários pode ser revista.

As declarações foram dadas logo após reunião com os presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Petrobras, Jean Paul Prates, embora os dois ministros tenham negado que o assunto tenha sido discutido no encontro. Ontem foi mais um dia de instabilidade no mercado financeiro por conta do temor de ingerência do governo federal na empresa.

Após atingir um recorde de R$ 569 bilhões de valor de mercado no dia 19 de fevereiro, a estatal fechou o dia de ontem estipulado em R$ 463,89 bilhões, que foi marcado pelo vaivém no preço das ações da companhia. Os papéis da Petrobras chegaram a se valorizar 4,4% e permaneceram em alta ao longo de quase toda a sessão, em um contexto no qual o preço do petróleo Brent estava favorável e em que eram feitos os primeiros acenos de Prates de que a retenção desses pagamentos poderia ser revista.

Contudo, as ações da empresa se desvalorizaram rapidamente após serem adiantados trechos da entrevista de Lula ao SBT, com duras críticas ao mercado e posicionamento contrário à política de distribuição de dividendos pela Petrobras. Lula disse que a Petrobras não serve só para pensar nos acionistas, e que precisa pensar em fazer investimentos. Afirmou que a empresa tinha que distribuir R$ 45 bilhões em dividendos, mas queria distribuir R$ 80 bilhões.

“Tivemos uma conversa séria com a direção da Petrobras”, disse o presidente da República. Ele afirmou que é preciso a empresa “pensar no povo”. Lula também disse que tem compromisso com a redução dos preços dos combustíveis e do gás de cozinha. “Não tem por que ter preço equiparado ao internacional”, comentou. E destacou: “Se for atender apenas à choradeira do mercado, não faz nada. O mercado é um dinossauro voraz, quer tudo para ele e nada para o povo.”

Alexandre Silveira alegou que a distribuição dos dividendos pela Petrobras é “dinâmica” e que a divisão destes recursos será avaliada no momento adequado. Haddad seguiu a mesma linha e afirmou que a conveniência de “quanto” e “quando” será a distribuição é uma decisão que caberá a Petrobras, repetindo mais de uma vez que não cabe à Fazenda opinar sobre a retenção ou a divisão desses recursos com os investidores.

“O que se fez foi colocar recurso numa conta de remuneração do capital, enquanto se processam as informações necessárias para que o conselho tenha a segurança de que ele vai fazer esse balanço entre distribuição e investimento sem colocar em risco os compromissos com acionistas e o plano de investimentos, que vai gerar desenvolvimento. É um sopesamento que tem que ser feito para que a companhia produza os melhores resultados para si e para o desenvolvimento do País”, disse Haddad.

Decisão
Haddad afirmou que a conveniência de “quanto” e “quando” será a distribuição dos dividendos é uma decisão que caberá à Petrobras. E a Fazenda não vai interferir

Fonte: O Povo

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