Finoagro investirá R$ 30 milhões no Ceará em 2024

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José Antônio Belotte, CEO da empresa, reuniu-se em Berlim com secretário Salmito Filho e evitou detalhar o projeto, que será no setor da agroindústria

Berlim (Alemanha) – Durante um par de horas, José Antônio Belotte, CEO da Finobrasa Agroindustrial (Finoagro), reuniu-se aqui ontem, terça-feira, 6, com o secretário do Desenvolvimento Econômico (SDE) do Governo do Ceará, Salmito Filho, a quem anunciou os planos de investimento para a expansão de sua empresa no interior do estado, onde tem fazendas de produção de manga para o mercado externo.

Esta coluna apurou que esses investimentos alcançarão a casa dos R$ 30 milhões e deverão ser iniciados e concluídos no prazo de sete meses, ou seja, até o fim de setembro deste ano. Salmito Filho e Belotte, por razões estratégicas, não detalharam os planos da Finoagro, mas adiantaram que eles serão feitos na área agroindustrial e localizados na região do Vale do Jaguaribe.

A Finoagro tem fazendas de produção de manga na zona rural dos municípios de Beberibe e Quixeré, no Ceará, e em Ipanguaçu, no Vale do Açu, no Rio Grande do Norte, e no Polo Fruticultor de Petrolina, em Pernambuco.

Nessas fazendas, cuja área total alcança 1.700 hectares, ela produz, em 1.100 hectares, as variedades Kent e Keit, que são mangas sem fibra; Palmer, que tem um pouco de fibra; e Tommy, que tem muita fibra. Nos 600 hectares restantes, a empresa cultiva e exporta uva.

Em Beberibe, as variedades Kent e Keit ocupam 35 dos 90 hectares da fazenda; a Palmer é cultivada em 40 hectares e a Tommy, em 15 hectares. Em Quixeré, a Finoagro produz manga em área de 100 hectares, mantendo os mesmos percentuais.

De acordo com José Antônio Belotte, a Finoagro exporta, por ano, 25 mil toneladas de manga, o que equivale a 80% de toda a sua produção. Daquele total, 60% são exportados para a Europa e 40% para os Estados Unidos.

Os 20% que sobram destinam-se ao mercado interno brasileiro.

No final da reunião com o secretário Salmito Filho, o executivo José Antônio Belotte, que se fez acompanhar do seu diretor Comercial, Rodrigo Santos Pinheiro, disse que a Finoagro espera contar com o apoio e o incentivo do governo estadual, ouvindo do seu interlocutor uma mensagem de otimismo:

“O Governo do Ceará está pronto a apoiar e a incentivar todos os bons projetos que ajudem o desenvolvimento econômico e social do estado pela ampliação de seu parque industrial, agroindustrial e agropecuário e pela criação de emprego e renda”, como disse Salmito Filho.

Hoje, o sócio e CEO do Grupo Vicunha, Ricardo Steinbruch – que chegou ontem a Berlim para participar da Fruit Logistica – terá encontro com o secretário Salmito Filho para dar sequência às negociações iniciadas ontem.

Esta coluna pode adiantar que é mesmo desejo da Finoagro não só ampliar, mas consolidar sua presença no setor da fruticultura cearense, para o que já identificou a nova área de sua atuação, mantido sob rigoroso sigilo. Ela será concentrada em Beberibe e Quixeré, mas ganhará também forte presença na região jaguaribana.

Os diretores e agrônomos da empresa controlada pela família Vicunha estão, digamos assim, impressionadíssimos com a qualidade do solo cearense para a fruticultura, razão pela qual chegaram a sugerir ao secretário Salmito Filho e ao presidente da Agência de Defesa da Agropecuária do Ceará (Adagri), Elmo Aguiar, e ao secretário Executivo do Agronegócio da SDE, Sílvio Carlos Ribeiro, presentes na reunião, um esforço conjunto no sentido de que seja ampliada a área cearense “livre da mosca da fruta” (Drosophila melanogaster), hoje restrita a um grupo reduzido de municípios do Leste do estado.

Também sugeriram que nessa “área livre” da infestação de pragas seja incluída, também, a Anastrepha Fraterculus, que ataca diversas frutas cultivadas no Brasil.

A propósito: o gênero Anastrepha tem mais de 90 espécies descritas no Brasil.

Ouvido pela coluna sobre o assunto, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), Amílcar Silveira, considerou a decisão da Finobrasa Agroindustrial de investir em novo setor do agro no Ceará “não só uma acertada atitude do ponto de vista econômico, financeiro, social e mercadológico, mas também uma demonstração de confiança que o Grupo Vicunha adota em relação à agropecuária cearense”.

Silveira concorda com a opinião do CEO da Finoagro e reafirma que o solo da região Leste do Ceará, onde está a Chapada do Apodi e onde se localiza Quixeré, “é mesmo de alta qualidade”, disse ele, acrescentando que, “em algumas áreas, esse solo parece até um adubo fertilizador”.

O novo investimento da Finoagro no Ceará será feito na região Jaguaribana, como revelou José Antônio Belotte. De acordo com Amílcar Silveira, “é outra decisão acertada”, tendo em vista que o empreendimento estará distante apenas 300 quilômetros do Porto do Pecém.

O presidente da Faec manifestou-se também feliz com a reunião que o secretário do Desenvolvimento Econômico, Salmito Filho, teve, segunda-feira, aqui em Berlim, com autoridades e empresários do Governo da Alemanha, tratando de Hidrogênio Verde. Amílcar Silveira, elogiou a atuação do titular da SDE, “que tem prestigiado o agro cearense, encaminhando ao governador Elmano de Freitas os pleitos do nosso setor”.

FRUTAS DO CEARÁ TERÃO APOIO DA EMBAIXADA DO BRASIL NA ALEMANHA
Roberto Jaguaribe, embaixador do Brasil na Alemanha, recebeu ontem na sede da Embaixada em Berlim a comitiva do governo do Ceará, liderada pelo secretário Salmito Filho, que lhe apresentou o panorama da economia cearense, com foco na fruticultura e no Hidrogênio Verde.

O embaixador ficou bem impressionado com as potencialidades do agro do Ceará e, mais ainda, com o projeto de implantação do Hub do Hidrogênio Verde do Pecém. Ele revelou que no próximo mês de março a Embaixada brasileira promoverá um encontro de autoridades dos governos brasileiro e alemão para o qual estão sendo convidados empresários dos dois países que atuam na área da energia e se mostram interessados em investir na produção do H2V.

Ficou acertada a participação do Complexo do Pecém nesse encontro.

Quanto à fruticultura, o embaixador disse que sua Embaixada está à disposição do governo e do empresariado do Ceará para ampliar as exportações cearenses de frutas e também as relações com o governo e com os importadores alemães.

O embaixador Roberto Jaguaribe fez uma exposição do que está hoje acontecendo na Alemanha do ponto de vista econômico e político, ressaltando a importância que tem o país na geopolítica mundial.

Além do embaixador, participou da reunião o Adido Agrícola do Brasil na Alemanha, Eduardo Sampaio. A comitiva cearense, além do secretário Salmito Filho, foi integrada pelo presidente do Complexo do Pecém, Hugo Figueredo; pelo secretário Executivo do Agronegócio da SDE, Sílvio Carlos Ribeiro; pelo presidente da Adagri, Elmo Aguiar; pelo diretor Comercial do Complexo do Porto do Pecém, André Magalhães; e pelo coordenador de Recursos Hídricos do Agronegócio da SDE, Erildo Pontes.

Fonte: Diário do Nordeste

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