Em celebração pelo seu dia, mulheres debatem a importância de “resistir e florescer”

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Na tarde da última sexta-feira (6/3), no auditório da Sefaz, as fazendárias cearenses se reuniram para celebrar o Dia Internacional da Mulher, que este ano apresentou um tema inspirador: “Não basta resistir, tem que florescer!”. O evento – promovido pelo Sintaf e pela AAFEC, com o apoio da Fundação Sintaf e da Sefaz – contou com a participação da secretária da Fazenda, Fernanda Pacobahyba; da secretária da Proteção Social, Justiça Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS), Socorro França; e da bailarina cearense e fundadora da Edisca, Dora Andrade.

Quem chegou mais cedo teve a oportunidade de ganhar uma massagem terapêutica, iniciativa da Associação Cearense de Apoio aos Massoterapeutas Deficientes Visuais.

Aprendizado e autoconhecimento

Na mesa de abertura, a diretora adjunta de assuntos culturais e sociais do Sintaf, Joelina Barros, ressaltou que a palavra de ordem é aprendizado. “Esse tema (resistir e florescer) foi pensado nesse sentido. A resistência é necessária – e esse dia 8 de Março é emblemático em homenagem às mulheres que ousaram lutar –, mas eu acredito que o diferencial da mulher é que ela vence com a coerência, com a leveza, a doçura e, principalmente, a fé em Deus, na vida e no que virá”, destacou a diretora.

A diretora-geral da Fundação Sintaf, Yvelise Sales, recordou que o 8 de Março nasceu a partir das lutas trabalhistas das mulheres, mas existem muitas outras sendo travadas – inclusive as lutas internas. “A mulher é muito cobrada. Muitas vezes nos esquecemos de ser mulher, simplesmente, e nos assemelhamos ao homem. Mas é preciso resgatar cada vez mais esse feminino, que é tão bonito. O caminho do autoconhecimento é importante para não ficarmos nessa cobrança eterna”, apontou.

A presidente da Fundação Sintaf, Elenilda dos Santos, também celebrou as mulheres que abriram caminhos para a emancipação feminina. “Ainda sofremos muito com a violência, mas a sociedade está reagindo contra as agressões às mulheres”, ressaltou. “Espero que no futuro próximo possamos comemorar a igualdade de direitos e que a mulher não seja motivo de notícia quando assume cargos mais altos”, evidenciou.

Primeira mulher eleita a ocupar a presidência da Cafaz, Ivany Araújo recordou que desde seu ingresso na Sefaz, passando por diversos cargos de chefia, trabalhou com homens e mulheres competentes sem nenhuma discriminação. Enquanto gestora de saúde, a presidente aproveitou a oportunidade para falar de saúde da mulher. “Ao assumir, descobri que um dos nossos programas de prevenção, o do câncer de mama, é pouco visitado. E esse tipo de câncer tem chances mais altas de cura quando detectado no início. Por isso, convido todas as mulheres a cuidarem da sua prevenção”, convocou.

“O feminino é a alternativa”

Em sua fala, a secretária da Fazenda, Fernanda Pacobahyba, ressaltou que o que trouxe a humanidade até aqui, em termos de evolução, foi um grande senso de agregação. “Mas se por um lado fomos norteados pelo senso de colaboração, de formas comunidades, de outro lado havia o senso de competição. E com o nosso sistema econômico, capitalista, a competição acabou prevalecendo. Isso vem resultando nos maiores problemas que enfrentamos na atualidade, desde a degradação do meio ambiente aos problemas emocionais das pessoas”, refletiu.

Neste mundo competitivo, conforme destacou a Secretária, infelizmente a presença das mulheres, especialmente nos postos de comando, não é muito evidente. “É nessa construção que nos encontramos agora. O feminino é a alternativa que sempre esteve conosco, que nos fez chegar até aqui. Esse feminino é sempre identificado com as mulheres, mas não necessariamente”, ponderou.

Fernanda Pacobahyba defendeu, assim, a presença mais afirmativa das mulheres. “Boa parte da nossa gestão (na Sefaz) é formada por mulheres. E elas foram escolhidas porque são competentes; sempre estiveram ali, mas não tiveram a devida oportunidade”, frisou. “Eu acredito que a construção de um mundo novo passa por aquilo que há de feminino – não no sentido do gênero, mas da afetividade; no sentido do respeito, do diálogo, da transparência e da integridade”, finalizou a Secretária, parabenizando a iniciativa do Sintaf por oportunizar aquele debate.

Na ocasião, a Secretária da Fazenda anunciou que o governador Camilo Santana acabava de encaminhar, naquela tarde, à Assembleia Legislativa, os projetos emergenciais da categoria fazendária: teto remuneratório e incorporação do piso do PDF.

“E um dia afirmativo, mas eu ainda não o celebro”

Feliz por estar entre mulheres, suas iguais, a bailarina cearense Dora Andrade afirmou, no entanto, que apesar do 8 de Março ser um dia afirmativo, ela ainda não se sente à vontade para celebrar. “Muito foi conquistado, muito foi feito, mas ainda tempos problemas gigantescos. Há muita injustiça, muita intolerância, muita violência, muita desigualdade. Esse caminho ainda vai render muita luta junto às mulheres, sobretudo às meninas mais pobres”, acentuou.

Fundadora da Edisca, Dora Andrade se reconhece feminista e muito engajada na luta de empoderamento das mulheres, pois ela é legítima e necessária. “Eu trabalho há quase 30 anos com crianças, adolescentes e jovens. Nossa escola é mista, mas essencialmente feminina. Das mais de 6.000 pessoas assistidas, mais de 90% foram e são meninas. Eu acredito que o empoderamento da mulher começa no despertar da consciência de cada menina”, afirmou.

Segundo destacou Dora, ser mulher já guarda as suas dificuldades. “Ser mulher pobre é mais difícil. Ser mulher pobre e preta é mais difícil ainda. E ser pobre, preta e casada com um homem que a espanca é o inferno na terra”, lamentou. “Nunca verei isso com naturalidade. Toda a energia que eu tenho e tiver será para dar força a essas mulheres, para que elas se construam, se deem esta carta de alforria, para que só permaneçam em lugares que elas queiram ficar, e não porque não possuem alternativas”.

A luta das mulheres é desafiadora. e Dora Andrade não foge dela. “Eu vejo o florescer no trabalho que a Edisca faz, no olhar e na conquista de cada menino e menina. É isso que dá sentido à luta”, concluiu.

“Chegou a hora de florescer”

Com bom humor e vitalidade, a secretária da Proteção Social, Justiça Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos do Ceará, Socorro França, lembrou que o resistir sempre fez parte da história das mulheres. “Em 1969, raiando 1970, o Brasil teve o seu primeiro Estatuto da Mulher. Eu fiz a faculdade de Direito como uma pessoa humana relativamente incapaz só pelo fato de ser mulher. Nós só conquistamos a nossa capacidade em 1970. Quando a mulher casada queria comprar algo, tinha que pedir a autorização do marido ou do pai. A lei do divórcio só foi aprovada em 1974. Todo esse processo de resistência da mulher ainda é muito recente”, recordou.

“Essas mais de 200 de mulheres que foram queimadas vivas porque resistiam às más condições de trabalho, na luta por seus direitos, não podem ser esquecidas. Nós somos memória, verdade, história. Hoje estou aqui falando sobre a luta das mulheres e mais tarde outras falarão, e assim a vida segue como resistência”, disse Socorro França. “Mas chegou a hora de florescer. Tenho certeza de que cada um de nós é fruto que floresce rumo a um futuro melhor. Que possamos deixar um mundo melhor para nossa descendência. Eu sonho com isso”, finalizou.

Sorteio e coquetel

Ao final do evento, as fazendárias participaram de dois sorteios. No primeiro, a ganhadora foi Valéria Passos Brasil, que foi contemplada com uma cesta da Cafaz Corretora. No segundo sorteio – uma diária no Hotel Sonata de Iracema, iniciativa do Sintaf – a contemplada foi a fazendária aposentada Márcia Maria Siqueira Soares. A tarde foi encerrada com coquetel ao som da cantora e violonista Rebeca Câmara.

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