Dólar dispara e fecha a R$ 5,4094 pela 1ª vez na história

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Em termos reais (corrigidos pela inflação), a moeda americana ainda está longe de sua máxima de 2002

A cotação comercial do dólar teve forte alta de 1,887% nesta quarta-feira (22), e fechou a R$ 5,4094, novo recorde nominal (sem contar a inflação). Na máxima do dia, a moeda foi a R$ 5,4160. O turismo está a R$ 5,65 na venda. No ano, a divisa acumula valorização de 35%, ficando R$ 1,40 mais cara.

Em termos reais (corrigidos pela inflação), o dólar ainda está longe de sua máxima de 2002. Se for considerado apenas o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE, o pico de R$ 4 naquele ano, equivale a cerca de R$ 10,80 hoje. Caso também seja levada em conta a inflação americana, o valor corrigido seria cerca de R$ 7,50.

Segundo analistas, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, deixou claro ao mercado, em videoconferências na segunda (20), de que a instituição deve fazer novos cortes na Selic e que, mesmo com os juros baixos, a política monetária ainda pode estimular a economia.

Para Fabrizio Velloni, chefe da mesa de câmbio e sócio da Frente Corretora, novas reduções não devem surtir efeito. “O corte na Selic não reflete na economia real porque não está sendo repassado. Os bancos estão subindo juros. Cortes de juros funcionam apenas em países com sistemas financeiros mais desenvolvidos, que têm concorrência bancária.”

Campos Neto também apontou que o cenário mudou desde a última reunião, em 18 de março, e está favorável a novas reduções na Selic, com queda nas expectativas de inflação. Segundo o boletim Focus, economistas preveem a Selic a 3% ao fim de 2020. Dentre os cinco economistas que mais acertam, a projeção é de 2,50%.

Para o IPCA, a previsão é de 2,23% este ano, ante 2,52% no levantamento da semana passada. Caso a expectativa se concretize, a inflação ficaria abaixo do centro da meta de 4%, que tem margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Juros

Juros mais baixos contribuem para a alta do dólar por meio do carry trade. Nesta prática de investimento, o ganho está na diferença do câmbio e do juros. Nela, o investidor toma dinheiro a uma taxa de juros menor em um país, no caso, os Estados Unidos, para aplicá-lo em outro, com outra moeda, onde o juro é maior, o Brasil.

Com a Selic na mínima histórica de 3,75% ao ano, e expectativa que caia mais, investir no Brasil fica menos vantajoso, o que contribui com uma fuga de dólares do país.

Real

Dentre emergentes, o real foi a moeda que mais se desvalorizou nesta sessão. Diante de todos os países, foi a quarta moeda a mais perder valor, atrás do berr da Etiópia, do tenge do Cazaquistão e da coroa norueguesa.

“A alta de hoje começou por ontem. Enquanto o mercado brasileiro estava fechado pelo feriado, o dólar subiu bastante no exterior”, diz Velloni. Ele aponta que a crise entre líderes do Congresso e governo de Jair Bolsonaro após a participação do presidente em ato pró-golpe de domingo (19) também contribui para a alta do dólar.

“O governo perdeu força, especialmente na Câmara dos Deputados. Não vejo nenhuma condição hoje para o governo aprovar as reformas administrativa e tributária”.

Bolsa

Já o Ibovespa teve alta de 2,17%, aos 80.687 pontos, maior patamar desde 13 de março. A alta da Bolsa brasileira refletiu a valorização das Bolsas americanas e a recuperação das ações da Petrobras. As preferenciais (mais negociadas) subiram 5%, a R$ 16,75. As ordinárias (com direito a voto) tiveram alta de 3,6%, a R$ 17,15.

Após as fortes quedas no preço do petróleo entre segunda (20) e terça (21), a matéria-prima se recuperou na sessão. O contrato futuro do barril de Brent, referência internacional, de vencimento em junho, sobe 6,3%, a US$ 20,56. O do WTI , referência nos EUA, tem alta de 18,7%, a US$ 13,73.

Em Nova York, o índice Dow Jones subiu 1,99%, S&P 500, 2,29% e Nasdaq, 2,81%.

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