Dólar dispara diante de mais sinais de recessão

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O dólar disparou contra o real ontem (26) e chegou a romper a barreira dos R$ 5,40 na cotação máxima do dia. A taxa de câmbio voltou a refletir o ambiente mundial desfavorável ao crescimento das empresas e, consequentemente, de maior risco de desvalorização para as ações negociadas nas Bolsas de Valores.

É um momento em que o mercado prefere tirar dólares de investimentos mais arriscados para buscar proteção nos títulos do Tesouro dos Estados Unidos que, além de seguros, estão ainda mais atraentes diante da perspectiva de continuidade do aumento dos juros no país. O movimento torna a moeda americana mais escassa e cara em outras partes do mundo.
Esse contexto não é novo, mas investidores ficaram ainda mais pessimistas após o Reino Unido anunciar no final da semana passada um plano que pode acelerar ainda mais a inflação na região, o que pode ter impacto também em outros mercados.

No câmbio brasileiro, o dólar comercial à vista fechou em alta de 2,43%, cotado a R$ 5,3760 na venda. Essa foi a maior elevação da taxa em dois meses. Na máxima desta sessão, subiu mais de 3%, aos R$ 5,4170.
“Essa disparada do dólar no Brasil está majoritariamente ligada ao movimento no exterior”, afirmou Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest.

Com peso menor na avaliação do mercado, a chegada da última semana da campanha eleitoral no Brasil antes do primeiro turno também pode ter ampliado a percepção de investidores sobre os riscos domésticos. “Talvez por isso o real esteja caindo um pouco mais”, diz Quartaroli.

A moeda americana avançou globalmente. O índice que compara o dólar com uma cesta de moedas das principais economias renovou a sua pontuação máxima desde 2002.
Na madrugada desta segunda, a libra esterlina caiu ao menor nível da história frente ao dólar, em reação ao maior pacote de corte de impostos em 50 anos, anunciado pelo novo ministro das Finanças do Reino Unido, Kwasi Kwarteng.
Kwarteng está tomando emprestado bilhões de libras para financiar o plano, podendo aquecer a economia no momento em que o Banco da Inglaterra aumenta as taxas de juros para controlar a inflação.
É como se a política monetária do banco central e a política fiscal do governo estivessem caminhando em direções opostas, explica Antonio van Moorsel, sócio da Acqua Vero Investimentos.
“As medidas visam impulsionar o consumo e reduzir as chances de uma recessão britânica. Todavia, o pacote contrata mais pressão inflacionária à frente, o que eleva os riscos de um aperto monetário [alta de juros] ainda mais agressivo do Banco da Inglaterra”, disse Moorsel.

Trata-se de um momento especialmente ruim para anunciar um pacote de aumento de gastos, já que o mundo todo tenta contar o processo de inflação global.

Na semana passada, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) confirmou a terceira elevação seguida de 0,75 ponto percentual no custo do crédito, sem dar sinais de que a batalha contra a inflação está perto do fim.
Susan Collins, a nova presidente do Federal Reserve de Boston, disse que está comprometida em reduzir a inflação para 2%, mesmo que isso signifique desacelerar a economia dos Estados Unidos.

Nos mercados de ações, o índice brasileiro Ibovespa caiu 2,32%, aos 109.114 pontos, e teve um dos piores desempenhos entre as principais Bolsas de Valores. Apesar disso, o indicador doméstico acumula ganhos na casa dos 4% neste ano, enquanto a maior parte dos mercados cai em 2022.
Analistas atribuem a resistência do Ibovespa à percepção de investidores de que a política monetária brasileira está obtendo sucesso no controle da inflação.

Fonte: O Estado CE

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