Dólar chega a R$ 4,93 em Fortaleza e muda realidade de viagens internacionais

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Cancelamentos de voos ainda são raros, mas moeda em alta e coronavírus têm feito viajantes repensarem longas permanências no Exterior

Em sucessivos recordes de fechamento nominal no mercado, o dólar já é encontrado por até R$ 4,93 nas casas de câmbio de Fortaleza, segundo O POVO apurou. A alta da moeda norte-americana, que dita o rumo de diversos aspectos do turismo internacional, pois impacta no preço de passagens aéreas, por exemplo, tem feito os viajantes repensarem longas estadas em outros países. Além disso, a epidemia do coronavírus, presente em destinos tradicionais como Estados Unidos e Europa, também vem influenciando na decisão dos turistas, que têm optado por permanências mais curtas no Exterior.

Em Fortaleza, o menor valor do dólar encontrado ontem foi de R$ R$ 4,75, na Tour Star Câmbio e Turismo, localizada na Avenida Abolição, enquanto o preço máximo, de R$ 4,93, foi constatado na Sadoc, que fica na Av. Monsenhor Tabosa. Dentre as casas de câmbio consultadas, o mais comum era a cotação de R$ 4,85.

Segundo o economista e consultor Alcântara Macedo, trata-se dos maiores custos para o dólar turismo já registrados na Capital cearense. “Desconheço época que esteve mais elevado. As pessoas que vão viajar certamente vão passar por ‘aperreio’ ou modificar substancialmente o lazer durante a viagem”.

A disseminação do coronavírus, iniciada na China e com diversos casos confirmados pelo mundo, inclusive no Brasil, tem ajudado a pressionar o dólar. “Como se trata de uma moeda que substitui ativos, e que pode ser usada em trocas internacionais, ela acaba se valorizando bastante em tempos de crise, como a que temos vivido com esta nova doença”, pondera o economista.

Uma das maiores agências de viagens do Norte e Nordeste, a Casablanca Turismo destaca que, apesar da apreensão de seus clientes com o dólar alto e o coronavírus, os casos de cancelamento de pacotes ainda são “raríssimos” em Fortaleza. “Eles tendem a buscar mais informações e munição para se precaverem contra esta nova doença. No caso do dólar, a maioria dos viajantes já adquiriu a moeda com antecedência, então não sente tanto essas altas dos últimos tempos”, destaca Paulo Neto, gerente de lazer da Casablanca.

Ele pondera, entretanto, que a disparada da moeda norte-americana já mudou a realidade de muitas viagens internacionais, principalmente na questão do tempo de permanência. “Quem pretendia passar 15 dias, acaba reduzindo a estada para uma semana, por exemplo. Não deixa de viajar, mas vai se adequando à realidade atual”, avalia. O gerente de lazer da Casablanca destaca, ainda, que os viajantes também têm mudado o destino para lugares mais baratos, além de optarem por hotéis mais simples.

Quem também garante não ter sentido os impactos da alta do dólar, até o momento, é a CVC, maior operadora de viagens do Brasil. Segundo a empresa, cerca de 70% de suas operações correspondem ao turismo nacional, e menos de 5%, nesta época do ano, dizem respeito a embarques para a Europa, o que reduz a influência do coronavírus em suas vendas de pacotes. “Caso o cliente não se sinta confortável em viajar para um desses destinos afetados, a CVC oferece a possibilidade de alteração da viagem ou de reembolso seguindo as políticas de seus fornecedores”, informa a empresa, em nota.

A empresa reforça que “não existe restrição de viagens por parte de autoridades internacionais”, e que tem acompanhado as orientações oficiais dos órgãos governamentais brasileiros e internacionais. “Em locais específicos como norte da Itália e Japão, com incidências recentes de casos, também não existe nenhuma restrição. Os fornecedores locais desses destinos continuam com suas programações normais”, diz a CVC.

Também em nota, a Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV) afirma que, no momento, não está contabilizando prejuízos no que diz respeito ao coronavírus. Segundo a entidade, a prioridade é dar suporte aos clientes e intermediar, junto aos fornecedores, melhores condições de cancelamentos e remarcações. “Solicitamos que não imponham restrições, multas ou penalidades aos consumidores que optarem por alterar o destino ou o período da viagem”.

Fonte: O Povo

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