Cresce 57% o consumo das famílias com cartões de crédito

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O comerciante Luís Alves, de 65 anos, tem o hábito de comprar tudo no cartão de crédito. Mês após mês ele vê a fatura aumentar, mas não tem conseguido reduzir o volume de compras. “Aqui tudo passamos no cartão, principalmente o consumo do lar, como supermercados e compras aleatórias. Acho mais prático e simples. Muitas vezes passamos o cartão de forma virtual, a compra chega na porta de casa. É muita praticidade e nós aderimos a esse ritmo de compras. Acredito que não conseguimos mais retornar ao que era antes, até porque se a tecnologia está à disposição para dar mais comodidade não custa a nós usufruir dela”, disse.
A relação desse cearense com o cartão de crédito, ou seja, com consumo familiar aumentando ano após ano, é a mesma de muitos outros brasileiros. Segundo levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), a maior parte do consumo de brasileiros é feita via cartões. Só no quarto trimestre de 2023, 56,8% do consumo das famílias foi feito por meio de cartões. No mesmo período de 2022, o indicador era de 55,3%.
Enquanto o aumento do consumo aumenta, a inadimplência reduz. Segundo o estudo, a quantidade de pessoas que deixaram de pagar as contas em dia caiu para 5,5% entre pessoas físicas em janeiro deste ano, de 5,6% em dezembro de 2023. Ao fim de 2022, era 5,9%. Ainda segundo a entidade, o programa de renegociação de dívida do governo federal, o Desenrola, contribuiu para a redução nos atrasos, assim como a desaceleração da inflação e dos juros. Como a perspectiva para 2024 é que este cenário avance ainda mais, a associação espera uma inadimplência ainda menor ao fim de 2024.
Tal cenário irá contribuir para um crescimento de entre 10% e 12% no volume transacionado via cartão de crédito. Para a Abecs, o crescimento deve ser puxado por um crescimento no consumo e nos limites concedidos, e não por mais emissões de cartões. “Tivemos uma oferta de cartões muito grande nos últimos anos e, em 2023, bancos tomaram medidas para deixar sua carteira mais saudável. Este ano, eles serão ainda mais cirúrgicos [na concessão de crédito]”, disse Giancarlo Greco, presidente da Abecs.
Na avaliação do economista e conselheiro Apimec Brasil, Ricardo Coimbra, esse é um dado interessante. “Com redução do dinheiro em espécie, o crescimento do pagamento via cartão e Pix vem aumentando significativamente ao longo do tempo. Quando a pessoa pode pagar à vista, prioriza o Pix, mas quando precisa de prazo, direciona cartão de crédito. Além disso, há a possibilidade de acumulação de milhas. As pessoas têm trabalhado com o cartão de crédito nessa perspectiva. Junto com esse avanço se tem as operações de débito que tiveram crescimento. O ponto positivo é o índice de inadimplência que vem caindo em razão dos processos de renegociação de dívidas. São fatores importantes para que tenhamos ainda maior redução, como também a diminuição da utilização de outras operações e concentração de planejamento mais organizado por parte das pessoas”, disse.

Meios eletrônicos
Os meios eletrônicos de pagamento, que inclui crédito, débito e pré-pago, devem crescer entre 8,5% e 10,5% neste ano, segundo projeção da entidade, para a faixa de entre R$ 4,05 trilhões e R$ 4,12 trilhões. Ainda segundo a Abecs, o limite de 100% no teto do rotativo implementado pelo governo ao fim de 2023 não deve impactar o crescimento do crédito. Isso porque o rotativo, que é acionado quando há atraso no pagamento da fatura, representa apenas 2,3% do endividamento dos brasileiros.
No entanto, a entidade trabalha em alternativas para diversificar as formas de pagamento. O objetivo é reduzir a inadimplência no parcelado sem juros. Entre as opções em estudo está um novo crediário padronizado entre todas as bandeiras de cartão, que se assemelha às linhas de parcelamento oferecidas por varejistas, de longo prazo, chegando a 60 vezes. A Associação pretende apresentar a proposta ao Banco Central ainda neste mês.

Fonte: O Estado CE

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