Consumidor de Fortaleza compromete 47% da renda para pagar dívidas

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| Indica IPDC | Pesquisa foi realizada pela Fecomércio. Levantamento também aponta que impostos anuais afetam a confiança do fortalezense

Os consumidores de Fortaleza destinam, em média, 47,7% da renda familiar para pagar dívidas, segundo dados de março deste ano. O valor representa um aumento de 3,5% em relação ao mês passado e superior ao mesmo período do ano passado.

Os principais instrumentos de créditos utilizados pelos consumidores são cartões de crédito (79%), financiamento bancário (15,4%), empréstimos pessoais (10,5%) e carnês/crediários (4,8%).

Os dados são da Pesquisa de Endividamento do Consumidor de Fortaleza, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio), por meio do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC), divulgados ontem, 20.

O comprometimento do consumidor demonstra um pouco de preocupação, afirma Cláudia Brilhante, diretora institucional do Sistema Fecomércio.

“É um comprometimento (de renda) elevado. Então a gente orienta o consumidor que ele procure priorizar as compras à vista, comprar, se possível, apenas o necessário e parcelas os seus débitos para que ele possa pagar e voltar a ser um consumidor ativo”, orienta.

Endividamento, planejamento e dívidas
Já em relação ao endividamento do consumidor fortalezense, o índice atingiu 73,1%, um aumento de 0,9 pontos percentuais em comparação ao mês anterior. Entretanto, o valor é abaixo do índice registrado no mesmo período de 2023, com 75%.

O cenário pode ser explicado pelas despesas sazonais do início de ano, especialmente com redução de impostos anuais, como Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) e Taxa do Lixo.

“O impacto das despesas sazonais no início do ano é muito forte. É esperado e natural que no mês de março nós tenhamos uma queda na confiança do consumidor e um aumento na inadimplência. Porque o consumidor vem de dezembro com muitas compras, de janeiro com matrícula e material escolar, e fevereiro com muitos impostos. Então ele é muito sazonal, o que impacta negativamente”, explica Cláudia.

Quanto às contas pendentes ou dívidas em atraso, houve um aumento de 21,8%, mas ainda abaixo do mesmo período de 2023, que registrou 24,2%.

O perfil do consumidor com contas em atraso destaca-se entre homens com idade entre 25 e 34 anos e renda familiar acima de dez salários-mínimos.

O tempo médio de atraso nas pendências é de 76 dias, sendo o desequilíbrio financeiro a principal justificativa para o não pagamento das dívidas, seguido pela necessidade de adiar o pagamento para outras finalidades, segundo o levantamento.

A taxa de inadimplência potencial apresentou uma queda de 1,4 pontos percentuais em comparação ao mês anterior, situando-se em 9,7%, com consumidores entre 25 e 34 anos e renda acima de dez salários-mínimos.

A pesquisa também revela que 77,2% dos consumidores em Fortaleza afirmam fazer orçamento mensal e acompanhamento eficaz de seus gastos e rendimentos.

De acordo com a pesquisa, a prática demonstra a importância do planejamento financeiro para o controle do endividamento.

Em contrapartida, a falta de planos orçamentários emerge como um problema crítico para o controle do endividamento, sendo a falta de controle dos gastos, aumento dos gastos essenciais, dos gastos imprevistos, compras por impulso, redução dos rendimentos e desemprego como os principais fatores contribuintes.

Impostos anuais afetam a confiança do consumidor em Fortaleza
Em março deste ano, apenas 36,6% dos consumidores de Fortaleza estão planejando compras. O índice é o menor percentual desde fevereiro de 2022.

O levantamento destaca que a percepção de aperto financeiro foi impulsionada pelos impostos anuais, refletindo na redução do poder de compra.

Os dados são do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), pesquisa também da Fecomércio, realizada pelo IPDC, relativos ao mês de março.

Segundo a pesquisa, houve uma queda de 6,1%, alcançando 114,7 pontos, retornando ao nível de junho do ano passado.

De acordo com os dados, o Índice de Situação Presente caiu 9,8%, enquanto o Índice de Expectativas Futuras diminuiu 3,9%.

No cenário levantado, apenas 44,1% dos entrevistados consideram propício adquirir bens duráveis, principalmente homens (47,4%), jovens entre 18 e 24 anos (52,6%) e com renda mensal acima de dez salários mínimos (55,9%).

Entretanto , 68,6% dos consumidores avaliam positivamente avaliam positivamente sua situação financeira atual, com expectativas futuras mais otimistas, com 82,5% acreditando em melhora.

Já no cenário da economia nacional, 61% esperam uma melhora nos próximos doze meses.

Refletindo as restrições orçamentárias, a intenção de compra diminuiu 4,5%, concentrada principalmente em homens (37,4%), jovens entre 18 e 24 anos (53,3%) e com renda acima de dez salários mínimos (39,7%).

O valor médio das compras é de R$ 641,36, com destaque para a busca por promoções de bens duráveis, como móveis, geladeiras, televisores, entre outros.

Fonte: O Povo

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