"Chega de ódio e intolerância", diz Camilo sobre frase polêmica de Bolsonaro

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O governador do Ceará se manifestou neste domingo sobre a fala do presidente em referência ao Nordeste


O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), disse neste domingo (21) que, passadas as eleições, é preciso “governar para todos, deixando para trás as diferenças”. A publicação em sua página no Facebook foi feita em meio à fala polêmica do presidente Jair Bolsonaro (PSL) em referência ao Nordeste.


“Ajudarei sempre que possível, e criticarei e lutarei contra tudo o que considero injusto e que prejudique a população, sobretudo a que mais precisa. O Nordeste está unido e o Brasil precisa se unir, mais do que nunca. Chega de ódio e intolerância”, escreveu o governador cearense no Facebook.


Além do governador cearense, outros políticos do Estado se manifestaram em suas redes sociais sobre o episódio em que Bolsonaro usou o termo pejorativo “paraíba” para se referir a nordestinos. Ele disse também que não devia ter “nada” para o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).


No Ceará, o correligionário de Bolsonaro e deputado estadual André Fernandes (PSL) saiu em defesa do líder. “Grande ‘crime’ o Bolsonaro cometeu ao chamar o Nordeste de Paraíba, onde pra muitos isso foi xenofobia. Bom mesmo era quando o cachaceiro dizia que comprava os nossos votos do nordeste por 10 reais. Me orgulho de ser nordestino, mas me envergonho por muitos babacas daqui”.


Bolsonaro chama de ‘melancia’ general que o criticou por declaração sobre nordestinos


Neste domingo, Bolsonaro fez declarações sobre a polêmica ao chegar no Palácio da Alvorada após ter participado de um culto evangélico e de ter almoçado em uma galeteria de Brasília. Na próxima terça-feira, 23, ele viajará à Bahia para a cidade de Vitória da Conquista onde inaugurará um aeroporto.


“A Bahia é Brasil. Sem problemas. Sou amigo do Nordeste, poxa. Se eu tenho um problema no Sul não se fala região Sul, Centro-Oeste e Norte. Porque essa história? Vocês mesmos da mídia querem separar o Nordeste do Brasil. O Nordeste é Brasil, é minha terra e eu ando qualquer lugar do território brasileiro”, disse.


O deputado federal José Guimarães (PT), em postagem no Twitter, acusou o presidente de ter cometido “crime de racismo” e de ter ferido “o princípio da impessoalidade previsto na nossa Constituição”.


O presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, José Sarto (PDT), declarou orgulho de ter nascido no sertão do Ceará. “Sou grato por ter me tornado um cidadão do mundo, pois posso olhar com clareza para o nosso povo, me orgulhar de nossa inteligência e bravura e ter a consciência de que devo não só respeitar nossa terra, mas seguir trabalhando firme por ela”, disse no Facebook.


Não houve manifestação entre os senadores do Estado.


O assunto repercutiu em diversas mídias no fim de semana. Em conversa com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, Bolsonaro disse na sexta-feira para “não dar nada” ao governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB. O áudio foi captado pela TV Brasil, emissora pública ligada ao governo. Há trechos inaudíveis da conversa e não é possível entender o contexto.


A partir dos áudios, Bolsonaro também foi acusado de ter usado expressão pejorativa para se referir ao Nordeste, quando fala “daqueles governadores de ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão”. O termo “paraíba” é uma forma usada principalmente no Rio para se referir a migrantes nordestinos.