Bolsonaro pede alterações na proposta da reforma administrativa

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Presidente determina mudanças no texto das novas regras para servidores públicos, a fim de driblar as resistências políticas à reforma administrativa a ser enviada ao Congresso Nacional agora só depois do período do Carnaval

O Governo Bolsonaro adotou um tom de cautela em relação à reforma administrativa, a fim de evitar encaminhar ao Congresso Nacional uma proposta sem o mínimo de consenso.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, ontem, que a reforma administrativa deverá ser encaminhada ao Congresso Nacional somente após o feriado de Carnaval.

“Vamos deixar para depois do Carnaval, né?”, disse Bolsonaro, quando chegava ao Palácio da Alvorada.

Ele também defendeu o atraso no envio da proposta ao Congresso. Segundo Bolsonaro, de nada adianta o Governo enviar a matéria e depois ter que pedir modificações no texto aos parlamentares.

Também ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que Bolsonaro “está dando uma olhada na reforma administrativa” e que “são corretas” as alterações que pretende fazer no texto.

Guedes também disse que é “normal” Bolsonaro pedir modificações em trechos que não considere corretos. O ministro citou como exemplo a possível exigência de que os funcionários públicos não tenham filiação partidária.

‘Mexidas’

Guedes afirmou que Bolsonaro está “fazendo algumas mexidas” na reforma administrativa. “As reformas continuam, o presidente está comprometido com isso, o Senado está envolvido lá no pacto federativo, a (reforma) administrativa daqui a pouco, o presidente está dando uma olhada, fazendo algumas mexidas que são corretas”, disse Guedes, durante evento no Palácio do Planalto.

“O presidente tem 60 milhões de votos e não vai dar palpite na reforma? Tem que dar, sim. Então taca a mão dele lá também. E é normal. Absolutamente normal”.

Na segunda, Bolsonaro tinha dito esperar que “esta semana a criança nasça” ao falar da reforma administrativa ao deixar o Palácio da Alvorada.

O ministro deu a entender, ontem, que a ideia de que servidores públicos não poderiam ter filiação partidária foi abandonada por determinação do presidente. “A turma técnica sonhando com um futuro de administração pública completamente despolitizada e desaparelhada. A turma técnica vai lá na reforma administrativa e coloca: olha, qualquer funcionário público não pode ter filiação partidária. Aí, o presidente fala: ‘espera aí, o exercício da política é o direito da liberdade, o sujeito pode ser funcionário público e pode escolher o partido dele, não tem problema nenhum’. Então, o presidente vai lá e dá uma ‘mexidinha'”.

Tributária

Guedes também elogiou a comissão mista formada no Congresso para analisar a reforma tributária, que tem dois nomes cearenses (o senador tucano Tasso Jereissati e o deputado Mauro Filho, do PDT).

“Nós vamos trabalhar juntos, vamos construir isso. O Brasil segue com as reformas”, comentou Guedes.

Convocação de ministro

Senadores de diferentes partidos se mobilizaram, nos últimos dias, para pedir ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que paute pedido de convocação do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, depois do Carnaval. O requerimento foi apresentado pelo PT, mas internamente ganhou o apoio também de parlamentares governistas.

Acusação polêmica

Alcolumbre não se opôs. Também incomodado com o ataque do ministro, que acusou o Congresso de “chantagear” o Governo, ele recebeu o líder do PT, Rogério Carvalho (SE), e outros senadores, que reforçaram a necessidade de o Legislativo reagir à acusação. Os parlamentares disseram que o ministro tem de ser confrontado publicamente para responder sobre o que se referia.

Fonte: Diário do Nordeste – Política

 

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