Bárbara de Alencar, de obra imorredoura, desencanta do túmulo para a vida em Itaguá

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Produção de vídeo-documentário visa a restaurar a memória da heroína brasileira que lutou na Revolução Pernambucana e na Confederação do Equador. Por Vitória Vasconcelos

Desencantar alguém forte, vinda com luz e brilho de outra dimensão significa tirar do túmulo para a vida novamente, vida pelos seus feitos, que não morrem nunca. Foi por meio desta imortalidade que renderam homenagem a Bárbara de Alencar, uma das figuras mais emblemáticas da Revolução Pernambucana e da Confederação do Equador, o projeto “Desencantando Bárbara”. E é nesta sexta-feira, 7, às 19 horas, que será lançado o vídeo-documentário, na praça da comunidade de Itaguá, distrito de Campos Sales, onde se encontram os restos mortais da heroína.

O projeto, uma realização em parceria da Fundação Sintaf, do Sindicato do Fazendários do Ceará, e da Estação de Cultura Ecopedagógica, foi lançado no último dia 28 de agosto, ocasião em que se celebrou o aniversário de 190 anos da morte de Bárbara de Alencar.

Na oportunidade, o mercado de Itaguá foi palco de apresentação de fantoches, contos sobre a vida de Bárbara de Alencar e uma oficina de pinturas com o tema, “Paixão, vida e morte de Bárbara”, voltado às crianças da comunidade. Foram produzidas, em média, mais de 40 telas pintadas no evento.

“Com elas seguimos em cortejo, ladeira acima, a fim de acordar Bárbara de um sono secular, no jazigo da capela. Assim, ela desencantou-se!”, ressalta Luiz Carlos Diógenes, coordenador regional Adjunto do Sintaf no Cariri. Além da exibição do vídeo-documentário “Desencantando Bárbara”, o projeto também visa despertar a comunidade a lutar por um memorial ou museu local.

Nascida na cidade de Exu, no sertão pernambucano, em 1760, ela foi uma das poucas mulheres que participaram da Revolução Pernambucana, em 1817. Dona Bárbara do Crato, como era conhecida, por ter vivido muito tempo na cidade do Cariri cearense, onde casou e teve filhos a 546 km de Fortaleza, carrega o título da primeira presa política do Brasil, apesar da informação ser questionada, uma vez que outras mulheres indígenas e negras também teriam participado da insurreição e sido presas.

Bárbara Pereira de Alencar era integrante de uma família conhecida, mulher rica e fazendeira da região Caririense. Mãe dos revolucionários José Martiniano, uma das lideranças da revolução de 1817 e pai do escritor cearense José de Alencar, e de Tristão Gonçalves de Alencar, que comandou a Confederação do Equador, no Ceará.
Aos 57 anos impulsionava os ideais republicanos no Ceará e participou de discussões e reuniões da Revolução. Por conta disso, teve de fugir do “Sítio Pau Sêco”, onde morava, e se esconder em casas vizinhas. Foi acolhida por Dona Matilde, mãe do capitão Manoel Joaquim Teles, Juiz Ordinário do Crato.

Dona Matilde pediu ao filho que recolhesse todos os documentos que comprovassem a participação de Bárbara na revolta. “Os documentos foram levados à Dona Matilde que os queimou de tal modo que nem a ata da independência, nem as proclamações e decretos do governo revolucionário foram encontrados, na devassa judicial”, escreve Juarez Aires, no livro Dona Bárbara do Crato.

Esta ação salvou a revolucionária da pena de morte, mas não de ser presa. E segundo a oralidade popular Dona Bárbara teria sido presa num presídio subterrâneo do Forte de Nossa Senhora de Assunção, em Fortaleza e de lá saiu com maior sede pela libertação do país e em 1824 defendeu os seus ideais na Confederação do Equador.

Bárbara morreu aos 72 anos de idade no distrito de Fronteiras, no Piauí, e foi enterrada em um dos distritos de Campos Sales, no distrito de Itaguá, em 1832.

Projeto

De acordo com Diógenes, o projeto ‘Desencantando Bárbara’ foi desenvolvido na própria comunidade, que se deu com as próprias crianças da comunidade, “uma comunidade pequena, para estimular o fruto daquele tesouro que está dormindo ali. Na realidade é um símbolo que foi maior, que a própria comunidade precisa entender. E a gente fez isso no projeto ‘Desencantando Bárbara’, com apoio do Sintaf, da Fundação Sintaf e da Estação de Cultura Ecopedagógica”, disse o coordenador Regional Adjunto do Sintaf no Cariri ao Newslink.

Fonte: NewsLink

1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns aos envolvidos na iniciativa, pelo resgate da memória libertária de Bárbara de Alencar, ícone feminino de nossa cultura na luta popular em prol dos ideais republicanos, tão fustigados atualmente.

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