Inflação do vestuário é a maior desde 1995

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Após pressionar produtos como alimentos e combustíveis, a inflação alcançou roupas, calçados e acessórios no Brasil. Em 12 meses até maio, período mais recente com dados disponíveis, os preços de vestuário acumularam alta de 16,08%, conforme o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Trata-se da maior inflação registrada pelo setor desde julho de 1995, quando o país vivia os impactos da transição para o Plano Real. À época, o vestuário registrou alta de 18,68% em 12 meses.

De acordo com analistas, os dados refletem a carestia gerada por uma combinação de fatores de oferta e demanda. O economista Fabio Bentes, da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), lembra que a pandemia provocou um desajuste nas cadeias produtivas que fornecem matérias-primas para a indústria.
Com a escassez de parte das mercadorias, os custos de fabricação aumentaram, o que forçou os repasses para os preços finais das roupas.

Em uma média de 12 meses até maio, a inflação de insumos usados na indústria para fabricação de produtos têxteis, artigos de vestuário e artefatos de couro e calçados subiu 12,8%, segundo cálculo realizado por Bentes, a partir de dados do IPP (Índice de Preços ao Produtor), do IBGE.
Esse aumento até já foi maior durante a pandemia. Até agosto de 2021, a alta acumulada chegou a 28,4%.

Retomada

Outro fator que passou a pressionar os preços finais de vestuário, diz Bentes, foi a retomada do consumo com a volta da circulação dos consumidores nas lojas.
Em 12 meses até abril, período mais recente com dados disponíveis, o volume das vendas do varejo de tecidos, vestuário e calçados acumulou alta de 19,4% no Brasil. O setor, contudo, ainda não superou todas as perdas da pandemia.

Está 8,6% abaixo do patamar pré-crise, de fevereiro de 2020, segundo dados de outra pesquisa do IBGE, a PMC (Pesquisa Mensal de Comércio). O levantamento envolve empresas com 20 funcionários ou mais.
“Tivemos pelo menos dois fatores de impacto sobre a inflação de vestuário. Houve retomada do consumo, com a recuperação de parte das margens de lucro que haviam sido sacrificadas pelas empresas no começo da crise, e escalada dos preços no atacado”, avalia Bentes.

Alta só perde para transportes

Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados no IPCA, a inflação acumulada por vestuário (16,08%) só ficou abaixo da alta registrada por transportes (19,92%) em 12 meses até maio.
O avanço de transportes reflete, sobretudo, a carestia de combustíveis como a gasolina. “Um ponto que com certeza pesa sobre a inflação de vestuário é o retorno do consumo presencial. Muita gente ainda não aderiu ao comércio eletrônico para comprar roupa”, diz o economista Thiago de Moraes Moreira, professor do Ibmec-RJ e da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

“As pessoas voltaram a consumir e estão pagando mais por isso, enquanto o varejo busca recompor as perdas financeiras geradas pela pandemia”, acrescenta.

Fonte: O Estado

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