Veto sobre desoneração pode gerar demissões, dizem empresários

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Segundo os líderes de entidades do setor produtivo ouvidos pela reportagem, a medida vetada pelo presidente Jair Bolsonaro era uma importante ferramenta para dar fluxo de caixa aos negócios durante a pandemia

Legenda: Setor de confecções prevê perda de empregos caso desoneração não seja mantida – Foto: Foto: Fabiane de paula

Segundo os representantes de classe, a decisão retira a capacidade das empresas de manter capital de giro durante a pandemia, momento de registrada redução da atividade econômica em todo o País. Contudo, as entidades afirmaram que já estão trabalhando para tentar reverter o veto.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria de Confecção de Roupas e Chapéus de Senhora no Estado do Ceará (Sindconfecções), Elano Guilherme, a desoneração da folha de pagamento tem sido benéfica para as empresas contornarem a queda no número de vendas. Ele explicou que sem os gastos destinados no momento da pandemia, as empresas poderiam direcionar os recursos para manter o fluxo das empresas e ainda manter pessoas empregadas.

Ele ainda lamentou a decisão do presidente Bolsonaro, apontando que, sem o auxílio, as empresas poderão registrar mais demissões nos próximos meses. “A gente lamenta nesse momento de dificuldade, em que a gente ainda aguarda incentivos dos governos Federal e Estadual. As linhas de crédito ainda não chegaram e a única coisa que chegou foi o auxílio na folha de pagamento. A gente fica preocupado quando vê que o Governo está na linha de não ceder. A gente gera muitos empregos e sem apoio vamos ter que efetivar demissões”, disse Elano.

A perspectiva foi corroborada pelo presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Ceará (Sinduscon-CE), Patriolino Dias. Ele ponderou que, caso a retomada da economia não ocorra da maneira esperada, os empresários podem acabar demitindo funcionários.

“A desoneração permite que empresas optem por contribuir para a Previdência Social com um percentual que varia de 1% a 4,5% sobre a receita bruta em vez de recolher 20% sobre a folha de pagamento, o que representa muito para o empregador”, disse o presidente do Sinduscon.

Impactos

Concordando com os companheiros, Clóvis Nogueira, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado do Ceará (Setcarce), contudo, afirmou que ainda não é possível medir o impacto do veto presidencial. Mas garantiu que os empresários estão conversando com senadores para que a decisão possa ser revertida no Congresso Nacional. “O impacto é grande, mas nós conseguimos que a medida fosse analisada pelo Senado, então teremos de fazer um trabalho grande para que a medida seja aprovada. Vamos conversar com senadores para conseguir aprovar, porque ela é importante para manter os funcionários nas empresas”, disse.

Nogueira ainda apontou que o Ceará poderá registrar um impacto menor em relação ao restante do País, considerando o andamento do plano de reabertura da economia regido pelo Governo do Estado nas últimas semanas. Como algumas empresas já estão voltando às atividades, com movimentações financeiras, é provável que o número de demissões seja menor do que em outros estados.

“O impacto é imprevisível, mas com a aceleração da economia durante a retomada, e esperando uma decisão positiva do Senado, podem ter menos demissões no Ceará porque já tivemos um impacto muito forte no começo da pandemia, e agora podemos aguentar mais”, comentou.

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