Sintaf debate sobre ‘lockdown da classe trabalhadora’ no programa Mundo do Trabalho, da Rádio Universitária FM

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O Dia Nacional de ‘Lockdown’ em Defesa da Vida e dos Direitos anunciado para este 24 de março foi pauta do programa Mundo do Trabalho desta terça-feira (23/3), na Rádio Universitária FM (107,9 MHz). Com a participação do Sintaf para o debate ao vivo, a edição pautou a mobilização que acontece pelo país nesta quarta-feira (24) em defesa da vida, por vacinas, auxílio emergencial, empregos e contra as privatizações do governo Bolsonaro.

Com a proposta de paralisação por 24 horas, o dia de ‘lockdown’ nacional da classe trabalhadora surge a partir da articulação de Centrais Sindicais, Pastorais sociais, profissionais da saúde, estudantes e principais lideranças de oposição do Brasil. A mobilização da sociedade civil ocorre no momento mais crítico da pandemia do novo coronavírus no país, que registrou mais de 3 mil mortes em 24 horas nesta terça-feira.

Sob o comando do apresentador Márcio Rodrigues, o programa recebeu os diretores Lúcio Maia (Organização) e Kleber Silveira (Comunicação) como representantes do Sintaf para conversar sobre o assunto. A edição teve, ainda, a presença de Roberto Luque (representante da Central Única dos Trabalhadores do Ceará – CUT/CE), Ana Paula Silveira (representante da Frente Cearense em Defesa do SUS e contra a Privatização da Saúde) e Jéssica Rebouças (representante da União Nacional dos Estudantes – UNE e Frente Povo Sem Medo – FPSM) para discutir sobre a importância de reação aos ataques contra trabalhadores no período da pandemia de Covid-19.

Lúcio Maia iniciou sua fala destacando a importância da mobilização nacional. Para o diretor de Organização do Sintaf, “amanhã é um dia importantíssimo para que possamos expressar tudo aquilo que nós gostaríamos de dizer para a sociedade, discutir toda a crise sanitária e econômica do país e reverter esse quadro”. Sobre o auxílio emergencial, assim se posicionou: “Em março de 2020, a Fundação Sintaf publicou um estudo, elaborado pelo Observatório de Finanças Estaduais – OFICE, através da revista Panorama Fiscal no. 31, em que defende o pagamento de um salário mínimo por família, que não disponha de renda formal, como valor referente ao auxílio emergencial. O estudo propõe a elaboração e execução pelo Governo Federal de um Orçamento Extraordinário no valor de R$1,5 trilhão e está fundamentado no Art. 21, XVIII da Constituição Federal. Todavia, o que vimos foi o Governo Federal enviar a proposta ao Congresso Nacional fixando o valor, inicialmente, em R$200,00. Este ano, além de reduzir consideravelmente o valor do auxílio emergencial, retirou muitos direitos da classe trabalhadora, desencadeando a aprovação da Emenda Constitucional 109/2021 e as Leis Complementares 173/2020 e 178/2021. A perda de direitos da classe trabalhadora vem desde o governo Temer, com a reforma trabalhista, depois veio a reforma da previdência com Bolsonaro, e agora querem acabar com o serviço público. E nós precisamos dizer para a sociedade que, acabando com o serviço público, acaba com o SUS, a educação pública, a assistência e a previdência. A PEC 32 retira quase todas as possibilidades de concurso público no nosso país, nas três esferas do governo. Tudo isso precisa ser discutido não só dentro das categorias, mas com a sociedade como um todo”. Ainda em suas colocações, Lúcio chamou a atenção para as pessoas mais atingidas pela crise: “Quem mais está sofrendo nesse momento são os mais humildes. Aquele que acorda pela manhã e não tem um pão para comer. A grande questão é essa, e o Governo Federal não está priorizando  a crise sanitária e fiscal. Vale ressaltar que os Estados Unidos aprovaram em março deste ano um Orçamento Extraordinário de US$1,9 trilhão para solucionar a crise sanitária e fiscal” .

Após analisar o estímulo financeiro efetivado pelo governo dos Estados Unidos, cujo objetivo é solucionar a crise sanitária e reativar a economia  ainda em 2021, em contraposição à letargia e ao descaso do governo brasileiro, o diretor de Comunicação do Sindicato, Kleber Silveira, também destacou a expectativa para as movimentações neste dia 24 de março: “Espero que o dia de amanhã seja só o começo de uma reação da sociedade civil, principalmente da classe trabalhadora organizada nos seus sindicatos e nas suas diversas entidades que, ao longo dos últimos anos, vêm sofrendo prejuízos e perda de direitos. Que amanhã seja o ponto de partida para uma reação da classe trabalhadora e dos servidores públicos do nosso país contra esse desmando e descalabro que estamos vivenciando. Eu acredito na consciência e na união do trabalhador. Mesmo em meio a todas as dificuldades que estamos vivendo, não devemos esmorecer, nem deixar de acreditar em uma vida de luta e de esperança”, pontuou ele.

A assistente social Ana Paula Silveira destacou a importância dos dados levantados pelos fazendários durante o debate e afirmou que “as falas trouxeram uma contribuição sistematizada, números que dialogam com a realidade. Acho muito interessante quando trazem números que não são apenas números, mas números que dialogam com a realidade das pessoas: o que isso representa no prato de comida e no posto de saúde do bairro”, ressaltou a representante da Frente Cearense em Defesa do SUS e contra a Privatização da Saúde.

Roberto Luque destacou, em sua fala, que “se nós tivéssemos um governo comprometido com o povo brasileiro, o auxílio emergencial deveria ser no valor de um salário mínimo para todos aqueles que não estão podendo ir às ruas trabalhar. Nunca nós tivemos tantas pessoas passando fome, morando no meio da rua. Se você sai da sua casa para fazer qualquer percurso, passa por pelo menos dezenas de pessoas pedindo esmola. Na sua casa toda hora tem gente batendo no portão. A fome e a pobreza que existiam na época de Fernando Henrique voltaram, só que muito pior. ‘Quem tem cloroquina não precisa de vacina’ é a fala política do desgoverno genocida enquanto a situação é essa”, afirmou o secretário de políticas sociais e direitos humanos da CUT Ceará.

Diretora de Mulheres da UNE, a estudante Jéssica Rebouças avaliou que “apesar da circulação da Covid ser democrática, os impactos dessa doença não são. A maioria dos países do Sul global são os que estão sentindo os impactos reais dessa crise, porque são os países que menos têm vacinação e são também os que mais demoram para se reerguer e restabelecer sua economia”. Segundo Jéssica, “não ter um plano de imunização nacional é muito ruim e, enquanto isso, surgem novas variantes da doença que são ainda mais letais. Isso faz parte das competências dele e o que ele [Bolsonaro] pretende para o nosso país, então é muito importante a gente conseguir escancarar, inclusive, para a opinião pública, que ele é o principal responsável pelo que estamos vivendo no nosso país”.

O programa Mundo do Trabalho é produzido e apresentado por Márcio Rodrigues, com realização do Núcleo de Economia Política da UFC, o Viès.

 

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