Servidores federais mantêm a pressão por reajuste dos salários

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Funcionários públicos reforçam mobilização por aumento, estimando perda de 27% dos vencimentos para a inflação. Categorias prometem novas paralisações

Servidores públicos federais mantêm o movimento de pressão sobre o governo para obter reajustes salariais. Desde 2017, 80% da categoria acumulam perdas para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de cerca de 27%, percentual que corrói o poder de compra desses trabalhadores. A defasagem salarial junto à intenção do presidente Jair Bolsonaro (PL) de conceder aumento apenas aos policiais federais – profissionais que compõe um de seus principais núcleos de eleitores – foi o combustível para o início de intensas mobilizações de diversas categorias do funcionalismo no fim do ano passado.

Devido à pressão, Bolsonaro chegou a anunciar na última quarta-feira, em entrevista à emissora Jovem Pan, que vai cancelar o reajuste para as categorias da segurança pública bancadas pela União. Na sexta-feira, o presidente sancionou o Orçamento de 2022. No sábado, ele informou a jornalistas com quem conversou no município paulista de Eldorado, que os vetos na Lei Orçamentária Anual estão na casa de R$ 2,8 bilhões e que essas verbas seriam ‘’cortadas na própria carne’’ do poder Executivo e retiradas também de emendas de comissão do Congresso (que não são obrigatórias).
No entanto, Bolsonaro não deu mais detalhes sobre os cortes. Devido à morte da mãe, Olinda, o mandatário afirmou aos profissionais de imprensa em Eldorado que ‘não estava com cabeça’ para analisar a fundo a peça orçamentária e que ‘’confiou’’ na equipe econômica.
Ainda sem publicação no “Diário Oficial da União” (DOU), categorias do funcionalismo afirmam que independentemente do reajuste nos vencimentos de policiais federais, policiais rodoviários federais e policiais penais, vão seguir se manifestando em prol da correção de seus salários de todas as outras categorias de servidores. ‘’O movimento independe do que ocorrer com o reajuste já acertado com os policiais. No dia 27 teremos mais um dia de paralisação, com evento digital de Fonacate ( Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas do Estado) e Fonasef (Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais)’’, disse Rudinei Marques, presidente do Fonacate, entidade representante das carreiras consideradas da elite do funcionalismo.
O sindicalista sustenta a avaliação de que a PEC dos Precatórios abriu espaço suficiente para reajustar os salários dos servidores. No entanto, a prioridade do governo são as pautas que garantam votos nas eleições em outubro. ‘’Somente a PEC dos precatórios abriu espaço fiscal que permitiria um reajuste de 10% aos servidores civis ativos e aposentados. Outro tanto foi aberto pelo processo inflacionário. Dinheiro tem, mas o governo prefere usar para medida populistas que garantam votos nas eleições de outubro’’, afirmou.
Exclusão
De acordo com o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), haverá paralisação em 9 de fevereiro durante o turno da manhã (de 8h às 12h). Segundo o presidente do Sinal, Fábio Faiad, as conversas do grupo com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, têm sido positivas, mas diante de declarações de outros integrantes do governo contrários ao reajuste, os atos devem ser mantidos.
‘’A nossa conversa com o Presidente do BC, Roberto Campos Neto, está sendo produtiva e positiva. Contudo, as últimas declarações do presidente Bolsonaro, do deputado Ricardo Barros e do ministro Paulo Guedes sugerem que o reajuste será dado somente para os policiais federais, excluindo os servidores do BC. Por isso, mantivemos a paralisação de 9 de fevereiro’’, destacou Faiad.
Representante da base do funcionalismo – conhecida como carreirão – a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) publicou calendário de atividades proposto e aprovado em plenária nacional da confederação. Entre as atividades programadas, haverá reunião com representantes das demais categorias, como o Fonacate e Fonasef, e também um indicativo de greve agendado para 9 de março.
O secretário-geral do Condsef, Sérgio Ronaldo, explica que a categoria defende igualdade no tratamento do serviço público. “Não somos contra o reajuste aos policiais. Somos contra o tratamento diferenciado e somos contra os ataques sistemáticos desse governo aos servidores e aos serviços públicos”, pontuou.

CALENDÁRIO DE MANIFESTAÇÕES

Programação de categorias do serviço publico federal, segundo sindicatos representantes
27/1
Reunião ampliada Fonasefe e Fonacate
28/1
Entrevista à imprensa sobre campanha salarial e calendário por reposição emergencial linear
2/2
Ato no Congresso Nacional na reabertura do ano legislativo
10/2
Dia nacional de luta em defesa das negociações dos acordos coletivos de trabalhos dos empregados da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares
14 a 25/2
Jornada de lutas
8/3
Ato no Dia Internacional da Mulher
9/3
Indicativo de greve
16/3
Marcha a Brasília e atos nos estados

 

Fonte: Estado de Minas

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