Serviços de água e luz batem recorde de inadimplência

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Em dezembro, os serviços básicos, como água e luz, bateram recorde de inadimplência, é o que aponta a Serasa. O percentual de 23,6%, foi o maior valor de toda a série histórica iniciada em janeiro de 2018. O número representa um aumento de 0,8 ponto percentual em um mês.

A falta de pagamento foi sentida mês a mês o início da pandemia, em março, quando começaram as medidas de restrição para conter a transmissão do vírus. Há um ano no cenário pandêmico, o índice cresceu 2,1 pontos percentuais. Especialistas atribuem a alta à suspensão dos cortes desses serviços por falta de pagamento, medida adotada durante a pandemia de Covid-19 para evitar uma deterioração da situação das famílias, cujas finanças foram impactadas pela disseminação do vírus e pelas restrições à circulação promovidas para contê-lo.

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), por exemplo, proibiu o corte do fornecimento de energia elétrica para consumidores de baixa renda inadimplentes até 31 de dezembro do ano passado. Para os demais, a determinação valeu entre março e agosto. No fornecimento de água, alguns estados e municípios proibiram cortes e flexibilizaram regras para quem não conseguiu honrar os compromissos.
O economista Marcelo Neri, diretor da FGV Social, diz acreditar que essa pode ser uma decisão racional do consumidor. “Pode ser uma forma de se financiar na pandemia, ter recursos em momento de incerteza. Se a pessoa perdeu renda e sabe que não terá o serviço cortado, ela pode optar por pagar outra conta”, afirma.

Para o pesquisador, antevendo o fim do auxílio emergencial, muitos podem ter guardado recursos, o que pode explicar a alta da inadimplência nas contas básicas no mês. “Além disso, dezembro não foi um mês tão gordo quanto costuma ser porque o 13º salário dos aposentados foi antecipado”, diz.

Segundo Neri, essas contas comprometem mais a renda dos mais pobres. “Os valores são mais importantes para quem ganha menos. A expectativa é de crescimento da pobreza com o fim do auxílio, o que deve piorar a situação”, diz Neri.

Com informações do jornal O Estado CE.

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