Selic e inflação baixas podem se perpetuar, caso reformas fiscais avancem

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Política de controle de gastos será fundamental para que nova realidade de juros e de inflação alcance eficácia

O corte de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, anunciado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na quarta-feira já era esperado pelo mercado financeiro. Mas, mesmo com a Selic cotada ao seu menor patamar histórico, 2,25% ao ano, ainda não se sabe ao certo a magnitude da eficácia da baixa taxa de juros estrutural como forma de atenuação da crise econômica em tempos da pandemia do novo coronavírus. Empresas de pequeno e de médio porte reclamam ostensivamente que não conseguem acessar o crédito a um juro mais barato. Ao verem os riscos de calote aumentarem, os bancos privados, sobretudo, estão dificultando o acesso ao crédito. Assim, a política monetária tem se mostrado falha em seu objetivo de incentivar a retomada da economia. Especialistas apontam que o novo patamar só será benéfico se acompanhado com o avanço das reformas estruturais, paradas no Congresso.

Pode-se dizer que o limite para cortes na Selic está próximo. Com a queda da projeção da inflação anual, o Banco Central admite que há espaço para um novo reajuste “residual”, mas que isso dependerá do cenário em que se encontrará a economia global. “Neste momento, o Comitê considera que a magnitude do estímulo monetário já implementado parece compatível com os impactos econômicos da pandemia de Covid-19. Para as próximas reuniões, o Comitê vê como apropriado avaliar os impactos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda, e antevê que um eventual ajuste futuro no atual grau de estímulo monetário será residual”, diz o comunicado do Copom nesta quarta-feira.

Para Carlos Thadeu de Freitas Gomes, ex-conselheiro do Banco Central e economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a autoridade monetária deve fazer mais um corte de 0,25 ponto porcentual e terminar o ano com a Selic no patamar de 2%, o que deve se manter por algum tempo caso o governo aprove as reformas estruturais. “Se o governo tiver uma política fiscal firme, com reformas e cortes de despesas, eu acredito que a taxa de juros permanecerá no nível de 2% por mais um ano. Mas isso dependerá de uma ampla reforma fiscal”, afirma. Maurício Oreng, economista do Santander, segue o mesmo raciocínio. “Desde 2016, nós temos uma política fiscal mais apertada, com a aprovação do teto de gastos que é uma medida crível para os investidores. Essa mudança é o que promove uma queda mais acentuada da inflação. Mas é preciso que o país volte a endereçar as reformas fiscais para que tanto a inflação quanto a taxa de juros se mantenham sob controle”, diz ele.

Fonte: Veja

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