Selic a 13,75% tenta conter inflação persistente, mas encarece crédito e produção

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|12ª ALTA| Ao fazer novo aumento de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros, Copom sinaliza outra elevação para setembro, porém em patamar menor

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou a taxa Selic em 0,5 ponto porcentual, de 13,25% para 13,75% ao ano, voltando ao patamar estabelecido em novembro de 2016.

O Copom deixou ainda a porta aberta para mais um reajuste na próxima reunião, embora de menor magnitude, provavelmente de 0,25%. Com isso, em 21 setembro, a Selic pode chegar a 14% ao ano, a doze dias do primeiro turno das eleições.

Como a alta da Selic impacta no dia a dia das pessoas?

O aumento do juro básico reflete em taxas bancárias mais elevadas, embora haja uma defasagem entre a decisão do BC e o encarecimento do crédito.

O que, por sua vez, influencia negativamente o consumo da população e os investimentos produtivos, e, consequentemente, o próprio processo de retomada da economia, que ainda está muito fragilizado

Vale lembrar que o número de inadimplentes está em patamar recorde no Brasil. Segundo dados da Serasa Experian, em maio, mais de 66,6 milhões de pessoas estavam com contas em atraso. E esses são os que mais devem sentir o impacto das mudanças, já que a dívida tende a ficar maior com o encarecimento das prestações.

Aperto monetário já é o mais longo da história do Copom

Foi o 12º aumento consecutivo do juro básico desde março de 2021, no que já é o ciclo de aperto monetário mais longo da história do Copom. Assim, desde a mínima histórica de 2,0%, a Selic subiu 11,75 pontos porcentuais, o maior choque de juros desde 1999.

As altas seguidas tentam conter uma inflação disseminada e persistente. Apesar das recentes medidas tomadas pelo governo terem reduzido o peso de combustíveis e da energia elétrica na inflação deste ano, com possíveis deflações no IPCA em julho e agosto, as projeções para 2023 seguem em alta.

No comunicado, o Banco Central acrescentou que “o ambiente externo mantém-se adverso e volátil”. Na semana passada, o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, subiu pela quarta vez consecutiva a taxa básica de juros daquele país, que passou de 1,75% para 2,5% ao ano.

Ontem, importantes dirigentes daquela instituição financeira, incluindo a própria presidente do Fed, fizeram estimativas de que o juro básico nos Estados Unidos também seguirá subindo e deve alcançar um patamar de 3,4% a 4% ao ano, no fim de 2022.

De acordo com a economista Natália Varela, “na medida em que as taxas de juros básicas aumentam, no Brasil, nos Estados Unidos e em vários outros países, a tendência é que o crédito ao consumidor fique mais caro, contribuindo para a diminuição do consumo e da demanda agregada, o que ajuda no combate à inflação alta. Entretanto, caso os bancos centrais mundiais tenham sucesso em reduzir a inflação, e também as expectativas de inflação, de forma mais rápida que a esperada hoje pelos mercados, as mesmas taxas básicas de juros que estão subindo podem vir a cair mais rapidamente no futuro”.

Já Ricardo Eleutério, que integra o Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), destaca que “a elevação da taxa básica de juros é um remédio amargo, todavia, necessário para combater a inflação, sobretudo a inflação de demanda. A elevação dos juros tem efeitos nefastos na geração de empregos, inibe a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) a uma taxa mais elevada e torna o crédito para o consumo e para a produção mais caros”. (Com Agência Estado)

Mercado

O dólar fechou estável, em R$ 5,27, após alternar altas e baixas ao longo do dia. A bolsa de valores recuperou-se pelo segundo dia consecutivo, beneficiada por ações locais.

Impacto

A Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) calcula que, com a nova Selic, o juro médio para as pessoas físicas passará de 119,07% para 120,05% ao ano. Para as pessoas jurídicas, a taxa média sairá de 56,57% para 57,29% ao ano.

Fonte: O Povo

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