Ao considerar a renda média de todos os trabalhadores (R$ 2.659), a renda média dos 10% mais pobres no Brasil não era suficiente para comprar meia cesta básica em uma grande cidade do país. Em contrapartida, o rendimento do trabalho dos 10% mais ricos permitia adquirir quase 14 cestas, em média.
Os dados são de estudo elaborado pelo economista Bruno Imaizumi, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O levantamento usa estatísticas do IBGE sobre a renda média obtida pelos brasileiros com o trabalho ao longo do ano passado. O indicador desconsidera o rendimento recebido a partir de outras fontes, como os benefícios sociais, que têm impacto entre as camadas mais pobres da população.
Os dados de renda nacionais são cruzados no levantamento com o preço da cesta básica pesquisada pelo Dieese. Entre os 10% mais pobres, a renda média do trabalho foi de R$ 365 no ano passado. Assim, poderia comprar o equivalente a apenas 0,48 cesta básica em São Paulo, por exemplo. É a primeira vez que essa relação fica um pouco abaixo de 0,5 na série histórica, com dados a partir de 2012. No caso dos 10% mais ricos, o rendimento médio do trabalho foi de R$ 10.497 no Brasil em 2022. O valor seria suficiente para adquirir 13,77 cestas. Também é o menor resultado da série.
Segundo o pesquisador, o quadro é mais positivo para os consumidores em 2023. Em parte, isso ocorre porque os preços dos alimentos dão sinais de alívio em um cenário de oferta maior de produtos. Neste ano, o Brasil vive os reflexos do aumento da safra agrícola, cujas projeções indicam recorde. Os preços da alimentação no domicílio acumularam queda (deflação) de 0,62% em 12 meses até agosto, conforme o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), divulgado pelo IBGE.
Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) diz que a inflação das famílias mais pobres acumulou alta de 3,7% em 12 meses até agosto. O avanço dos preços foi menor do que o verificado entre as mais ricas (5,89%). Os cálculos levam em consideração os dados do IPCA e as diferenças na composição das cestas de consumo em cada faixa de renda.








