Reforma tributária com devolução de imposto pode aumentar renda de metade da população de Pernambuco

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Estudo do Pra Ser Justo aponta que medida compensatória de devolução do imposto é mais eficaz do que adoção de desonerações

A reforma tributária, que tarda a ser colocada em pauta e votada no Brasil, pode
contribuir significativamente para aumento de renda da população do País e de
Pernambuco e reduzir desigualdades. Estudo do movimento Pra Ser Justo
aponta que uma proposta que contemple a criação do IBS (Imposto Sobre Bens e
Serviços) com devolução de parte do valor pago a famílias de menor renda teria
capacidade de trazer mais rendimentos para 72,4 milhões de brasileiros, numa
média de 34,8% da população. Em Pernambuco, o impacto seria um dos maiores
do País, beneficiando entre 50% a 60% dos pernambucanos

Focado nos resultados em termos de crescimento macroeconômico, setorial e
para as famílias, com ênfase na capacidade do mecanismo de combater
desigualdades, o estudo “Como a Devolução dos Impostos Pode Ajudar a Reduzir
a Desigualdade no Brasil” estima os impactos do mecanismo de isenção com a
adoção do IBS Personalizado (IBSP). Atualmente, duas propostas de reforma
tributária já preveem a medida (PECs 45/2019 e 110/2019), que seguem sem
previsão de votação no Congresso.

O estudo propõe que a medida poderia ser financiada com um aumento da
alíquota estimada para o imposto sobre consumo, conforme a previsão já feita
no texto da reforma. O IBS está previsto no texto da reforma tributária para
substituir e unificar os tributos que hoje incidem sobre bens e serviços, reduzindo
problemas como a bitributação, já que a arrecadação para a ser em cima do valor
agregado do produto ou serviço.1

Esse total seria devolvido às 72,4 milhões de pessoas, sendo R$ 8,4 bilhões
(85,3% do montante) sendo destinado para pessoas que estão na faixa de renda
de zero até um salário mínimo, o que representaria 46 milhões de beneficiários.
Mais de 70% desse seria de pessoas negras; 57%, mulheres. Do público total,
42,02% estão no Nordeste.

Pernambuco seria um dos estados com maior potencial de beneficiários com a
medida. A estimativa é de 50% a 60% da população do Estado, ou seja, mais de
cinco milhões de pessoas. O Estado lidera a estimativa de beneficiários ao lado
de Ceará, Maranhão, Piauí, Pará, Sergipe, Bahia, Paraíba, Roraima, Tocantins e
Alagoas.

Quanto essas pessoas receberiam também é estimado pelo estudo. Os 72,4
milhões de pessoas simulam todos os inscritos no Cadastro único do governo
federal, com base nos valores gastos pelas famílias com os itens essenciais da
cesta básica, usando como base os gastos das famílias de menor renda (R$
1.908,00/mensal – 2017) receberiam o valor limite de R$ 13,22 mensais por
pessoa, com escalonamento de acordo com a renda per capita mensal.

Renda per capita de até R$ 178 (R$ 13,22 por pessoa); até meio salário mínimo,
75% do valor teto (R$ 9,25 por pessoa); e acima de meio salário mínimo, 35% do
valor teto (R$ 4,63 por pessoa). Uma família de quatro pessoas com renda per
capita mensal de até R$ 178 teria ao mês R$ 52, 88 a mais na renda.

DESIGUALDADES

 

Já em relação à desigualdade, só a adoção da proposta de reforma tributária já
seria capaz de reduzir em quase 2% o índice de desigualdade (Gini) em relação a
um cenário sem reforma. Com o IBSP, as devoluções levariam a uma redução de
3,2% em relação a um cenário sem nenhuma reforma.

A eficácia da devolução, conforme os dados compilados pelo Pra Ser Justo, de
políticas de transferência de renda comprovadamente são mais eficazes para
reduzir desigualdades do que as desonerações. Uma exemplificação é o custo da
desoneração da cesta básica, que em 2016, somente para a União, foi de R$ 18,6
bilhões e reduziu em apenas 0,1% o índice Gini. Políticas de transferência de
renda, como o Bolsa Família, reduziram no mesmo ano, 1,7% o Gini, a um custo
de R$ 28 bilhões, resultado 12 vezes mais eficiente na redução de desigualdades
que a desoneração da cesta básica.

Quando você faz a devolução para a família, garante que os mais pobres vão de
fato pagar menos por aqueles produtos. Do ponto de vista da progressividade, é
muito mais efetivo do que a desoneração, que não necessariamente chega no
preço final”, afirma Débora Freire, professora do Departamento de Ciências
Econômicas da UFMG e uma das responsáveis pelo trabalho.

afirma Renata Mendes, líder do Pra Ser Justo. Segundo ela, “o estudo mostra a
urgência de se aprovar uma reforma tributária ampla sobre o consumo, que teria
efeitos significativos para reduzir desigualdades e crescimento econômico. A
PEC 110, que prevê o mecanismo do IBS-P, atingiu um nível de consenso
histórico e está pronta, mas segue parada na CCJ do Senado”.

A reforma tributária, que tarda a ser colocada em pauta e votada no Brasil, pode
contribuir significativamente para aumento de renda da população do País e de
Pernambuco e reduzir desigualdades. Estudo do movimento Pra Ser Justo
aponta que uma proposta que contemple a criação do IBS (Imposto Sobre Bens e
Serviços) com devolução de parte do valor pago a famílias de menor renda teria
capacidade de trazer mais rendimentos para 72,4 milhões de brasileiros, numa
média de 34,8% da população. Em Pernambuco, o impacto seria um dos maiores
do País, beneficiando entre 50% a 60% dos pernambucanos.

Fonte: JC/UOL

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