Reajuste no preço dos medicamentos deve ser anunciado nesta semana; expectativa é subir até 13%

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Historicamente, os novos valores passam a valer já no dia 1º de abril

O preço dos remédios deve subir de 10% a 13% neste ano, conforme previsão do setor. O reajuste oficial é definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e deve ser divulgado ainda nesta semana.

Historicamente, os novos valores passam a valer já no dia 1º de abril. Por enquanto, o segmento ainda aguarda a publicação do percentual no Diário Oficial da União (DOU).

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista dos Produtos Farmacêuticos do Estado do Ceará (Sincofarma), Fábio Timbó, revela que o mercado está na expectativa do anúncio oficial.

Segundo ele, as previsões são de que a correção gire em torno de 10% a 13%. Apesar da projeção, Timbó esclarece que o comércio varejista aplica o reajuste de acordo com os aumentos repassados ao longo da cadeia, que inicia nos laboratórios e ainda passa pelo atacado antes de chegar às prateleiras acessíveis ao consumidor final.

Além disso, ele lembra que também é estabelecido um teto para a venda de cada medicamento, patamar que não pode ser ultrapassado.

“Os preços são tabelados. Se os laboratórios que ditassem os preços, poderiam colocar uma margem de lucro abusiva”, pontua.

O presidente do Sincofarma também esclarece que, apesar dos novos valores poderem ser praticados, em geral, no dia 1º de abril, algumas farmácias decidem segurar os preços por alguns dias enquanto os estoques comprados com os valores anteriores ainda durarem.

“De toda forma, as lojas trabalham com estoque reduzido, por limitação de espaço e para evitar as perdas por vencimento. Então, é comum as lojas realizarem várias compras por semana”, detalha Timbó.

Mercado internacional

Além do cenário geral de inflação no País, a cadeia de medicamentos tem mais um agravante: a dependência do fornecimento internacional de suprimentos.

Sendo importados de outros países, a predominância das matérias-primas sofrem influência das flutuações do dólar e de fatores externos que abalam de alguma forma a cadeia internacional, com a pandemia e a própria guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

“A gente, enquanto varejista, não gostaria que aumentasse (o preço), mas nós não fabricamos e ficamos refém da indústria nacional e mundial. O que acho importante dentro de uma pandemia é que não falte medicamento”, afirma Timbó.

Espiral inflacionária

O conselheiro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon), Ricardo Eleutério, ressalta que o Brasil tem vivido o que os economistas chamam de inflação inercial ou autônoma, quando os preços retroalimentam novos aumentos de valores.

Ele explica que as correções periódicas costumam ser baseadas na inflação presente ou passada, seja do mês ou do acumulado dos últimos 12 meses, por exemplo.

Com as expectativas de alta na inflação, essas projeções já começam a ser incluídas nos preços de forma preventiva, para evitar perdas.

“Ano passado nós tivemos uma inflação de dois dígitos e possivelmente teremos novamente esse ano. Então, começa esse processo de indexação e retroalimentação”, afirma Eleutério.

Fonte: Diário do Nordeste

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