Pressões inflacionárias globais se intensificaram, avalia BC na ata do Copom

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Em meio à guerra na Ucrânia e o recrudescimento da pandemia de covid-19 em algumas regiões da China, o Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central destacou nesta terça-feira, 10, por meio da ata de seu último encontro, que as pressões inflacionárias globais se intensificaram. Na semana passada, o Copom elevou a Selic (a taxa básica de juros) em 1,00 ponto porcentual, de 11,75% para 12,75% ao ano.

De acordo com o BC, as pressões sobre os preços globais decorrem tanto de uma demanda por bens persistentemente elevada – puxada pela recuperação de algumas economias, como a dos Estados Unidos – quanto de choques de oferta ligados ao conflito no Leste Europeu e ao fechamento de cidades chinesas para conter o vírus.

“Esses fatores têm potencial para gerar pressões inflacionárias persistentes em diversas economias, particularmente nas que estão mais defasadas no processo de normalização de suas políticas fiscais e monetárias”, ressaltou a ata.

O Copom citou ainda a incerteza sobre o comportamento futuro dos preços de commodities em reais, como reflexo da guerra na Ucrânia e da retomada das economias no pós-pandemia. Ainda assim, o colegiado manteve a avaliação de que há a possibilidade de reversão, ainda que parcial, do aumento desses custos.

O BC repetiu a avaliação de que o ambiente global seguiu se deteriorando, com choques que podem prolongar ainda mais o processo de normalização do suprimento de insumos industriais.

“A reorganização das cadeias de produção globais, já impulsionada pela guerra na Ucrânia, deve se intensificar, com a busca por uma maior regionalização na cadeia de suprimentos. Na visão do Comitê, esses desenvolvimentos podem ter consequências de longo prazo e se traduzir em pressões inflacionárias mais prolongadas na produção global de bens”, afirmou o documento.

O Copom lembrou ainda que os bancos centrais de países desenvolvidos e emergentes têm adotado uma postura mais contracionista em reação ao avanço da inflação, mas ressaltou que em boa parte desses países as taxas de juros correntes ainda estão em território expansionista.

“Diante da potencial persistência do processo inflacionário, a reprecificação da política monetária nos países avançados tem impactado as condições financeiras dos países emergentes. O Comitê discutiu também os crescentes riscos em torno de uma desaceleração global em ambiente de inflação significativamente pressionada”, completou o BC.

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