Presidente do INSS diz que estados e municípios devem fazer suas próprias reformas da Previdência

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Leonardo Rolim participou da 32ª edição do Fórum Nacional e defendeu mudanças no sistema de aposentadorias regionais como uma saída para a crise

O presidente do INSS, Leonardo Rolim, afirmou nesta segunda-feira que estados e municípios precisam avançar na agenda de reforma de suas previdências públicas de forma a enfrentar a crise gerada pela pandemia do coronavírus. Ele citou estados que têm mais pensionistas e aposentados que servidores na ativa, como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Espírito Santo e Minas Gerais.

Ele participou da 32ª edição do Fórum Nacional, promovido pelo economista Raul Velloso e transmitido pela internet na tarde desta segunda-feira.

— Os estados e a União, assim como as capitais, já envelheceram. Já temos uma relação desequilibrada. O aumento com despesa de pessoal levou à crise dos estados — afirmou Rolim.

O presidente do INSS disse que é preciso que estados e municípios busquem maior diversificação de seus investimentos em tempos de crise gerada pela pandemia do coronavírus.

Rolim destacou que 90% dos recursos previdenciários estão aplicados em títulos públicos e deveriam ser destinamos a investimentos de longo prazo,  como projetos em infraestrutura, em parcerias público-privadas e até em concessões de serviços públicos.

— Se continuar investindo quase que sua totalidade em títulos públicos, e como houve rentabilidade reduzida por conta da crise, as previdências vão passar a ter grandes déficits, pois trabalham com metas atuariais entre 5% e 6% ao ano, e os títulos terão rentabilidade pouca acima de 3%.  Esses regimes, se não diversificarem seus investimentos, vão ter dificuldade  em se manter equilibrados — afirmou Rolim.

O presidente do INSS disse que a reforma da Previdência aprovada no ano passado vai permitir que o Brasil consiga superar com maior velocidade a retomada econômica após o fim da pandemia do coronavírus.

— Com a reforma, a despesa da previdência em relação ao PIB se estabilizará nos próximos anos. Esse é um diferencial para permitir que tenhamos uma retomada do crescimento na geração de emprego pós-pandemia. Imagina se tivéssemos um cenário de aumento de gastos sem a reforma. A situação seria mais dramática que a que temos hoje — disse Rolim. — Esse efeito é fundamental para permitir estimular a retomada do crescimento econômico com o fim da pandemia.

O economista Raul Velloso disse que, com o agravamento econômico provocado pela Covid-19, os governos estaduais e municipais vão ter que gastar mais “mesmo não tendo recursos sobrando”.  Por isso, ele ressaltou a necessidade de aumento dos investimentos, sobretudo em infraestrutura.

— A queda dos investimentos estaduais e municipais é o grande pagador da conta. O investimento público e privado terá que aparecer para que a taxa de crescimento do PIB venha. O desafio é criar um ambiente para os investimentos crescerem — disse Velloso, destacando que o déficit orçamentário dos estados deve chegar a R$ 109 bilhões neste ano.

Fonte: O Globo

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