Presidente do Banco Central: reformas não garantiram crescimento

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Campos Neto: se fosse feito um um ranking de 20 coisas que foram apontadas como necessárias ao crescimento seria verificável que grande parte foi realizada, sem garantir melhoria no PIB.

Em entrevista ao Canal Livre, programa BandNews, no domingo passado, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, interpelou-se sobre “o que o Brasil precisava fazer” para garantir um crescimento estrutural. Ao iniciar a resposta foi interrompido por um dos entrevistadores:

— Reformas, principalmente?

Campos Neto discordou. Disse ser “curioso” o fato de, ao consultar pesquisas do BC de algum tempo atrás, observou que a expectativa de crescimento do Brasil a longo prazo girava em torno de 2% a 2,5% de aumento do Produto Interno Bruto (PIB), na época considerada muito baixa.

Emendou afirmando que “as pessoas” atribuíam essa expectativa reduzida à necessidade de reformas da Previdência e trabalhista; melhorar o mercado do gás, criar uma lei da liberdade econômica, corrigir problemas de infraestrutura, entre outros aspectos.

Continuou dizendo que se fosse feito um ranking das 20 coisas apontadas, em 2014, como necessárias ao crescimento, seria visto que “grande parte” das medidas, como as citadas acima, foram adotadas.

“E aí a gente pergunta: se havia expectativa de crescimento estrutural de 2,5%, fizemos grande parte da lista, pelo menos em parte, então hoje se imaginaria que a expectativa de crescimento estrutural seria mais alta, concorda? Não, é mais baixa. Hoje quando a gente pega essa mesma pesquisa [do BC], a expectativa de crescimento está em torno de 1,5%”, disse Campos Neto.

Outro jornalista interveio: “Não há falta de confiança do investidor?”

Campos Neto: “Mas se grande parte das medidas foram endereçadas, a confiança deveria ser maior, não menor”.

Pelas características de seu cargo ou pela ideologia liberal que professa, o presidente do BC atribuiu a um sujeito genérico, “as pessoas”, a responsabilidade pelas reformas.

Entretanto, foram os liberais os impulsionadores das medidas, que se mostraram ineficazes para alavancar o crescimento do País, porém suficientes para a retirar direitos dos mais pobres e dos trabalhadores, que nunca viram chegar a enxurrada de empregos e a melhoria econômica prometidas por aqueles que desfraldaram a bandeira fraudulenta das reformas previdenciária e trabalhista.

Fonte: O Povo (coluna Política – Plínio Bortolotti)

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