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Agenda Ambiental

  10/06/2014 

Os problemas da pegada ecológica como métrica de sustentabilidade

As pessoas inventam definições que devem nortear o comportamento humano e para isto medem através de índices como se deve conduzir o homem para respeitar estas definições. Entretanto os índices podem representar exatamente ao contrário do que a definição previu isto ocorre com um conceito e uma métrica, a sustentabilidade e a pegada ecológica (ou pegada de carbono).

O conceito de sustentabilidade diz em sua definição que algo sustentável deverá permitir que as gerações futuras possam viver de acordo com o a capacidade da Terra de regenerar e permitir que as gerações futuras sobrevivam com o mesmo nível de vida que nos dias atuais.

Para quantificar esta sustentabilidade existem várias métricas, que variando de um valor mínimo a um máximo, permitem definir se um país ou uma região é mais ou menos sustentável do que o outro, ou seja, se um grupo social atinge um valor 0,2 e outro um valor 20 o país que atinge um valor 20 seria 100 vezes menos sustentável do que o outro.

Uma das métricas mais conhecidas e quantificada de acordo com normas e procedimentos definida por uma fundação internacional, a Global Footprint Network, é a pegada ecológica ou também conhecida pela pegada de carbono, esta fundação define através Ecological Footprint Standarts como deve ser calculada esta pegada ecológica.

Partindo dessas definições, um país com baixo valor de pegada ecológica, permitirá que as gerações futuras vivam exatamente no mesmo nível de vida que as gerações presentes, logo olhando sob o ponto de vista humanístico é de se pensar que países que possuem uma ótima pegada ecológica serão exemplos de padrão que devemos seguir, porém se analisarmos friamente os resultados das pegadas ecológicas veremos que esta métrica mostra exatamente ao contrário, pois vamos aos fatos.

De tempos em tempos a partir de dados de diversas organizações é feito o Ecological Footprint Atlas em que são classificados os países que mais respeitam a pegada ecológica e os que menos respeitam. O último disponível em rede é o Ecological Footprint Atlas 2010, onde aparecem os países com menor pegada ecológica (aqueles que teoricamente seriam capazes de manter o meio ambiente para as futuras gerações) e os países com maior pegada ecológica (aqueles que não possibilitariam a vida das suas próximas gerações). No relatório de 2010 os 11 países com melhor pegada ecológica por ordem decrescente de desempenho são:

Bangladesh,
Afeganistão,
Haiti,
Malawi,
República Democrática do Congo,
Paquistão,
Moçambique,
Eritreia,
Burundi,
Zâmbia e
Iêmen.

por outro lado os países que não garantem a vida de suas próximas gerações são por ordem decrescente de sustentabilidade são

Emirados Árabes Unidos,
Qatar,
Dinamarca,
Estados Unidos,
Bélgica,
Estônia,
Canadá,
Austrália,
Kuwait,
Irlanda e
Países Baixos.

Se olharmos com um mínimo de cuidado a lista dos melhores e dos piores e considerarmos que a primeira das próximas gerações são os filhos que estão nascendo nos dias atuais, deveríamos no limite ter um alto grau de possibilidade de sobrevivência dos primeiros e um baixo grau de sobrevivência dos segundos, ou seja, os campeões deveriam ser o primeiro grupo e os perdedores os do último.

Agora cruzando os valores de mortalidade infantil do primeiro grupo com o do segundo chegaremos aos seguintes resultados para os campeões de sustentabilidade na mesma ordem anterior:

47,3; 187,5; 50,92; 76,98; 74,87; 59,35; 74,63; 39,38; 58,86; 68,58 e 51,93
(média = 71,84),

já por outro lado os piores em sustentabilidade tem os seguintes valores de mortalidade infantil

11,25; 6,6; 4,14; 5,2; 4,23; 6,82; 4,49; 4,78; 7,68; 3,78 e 3,69
(média = 5,69), conservando a ordem anterior.

Como outros padrões de vida, como idade média e outros, seguem mais ou menos o índice de mortalidade infantil, podemos dizer baseado em valores concretos que a pegada ecológica mostra simplesmente que os países de melhor pegada possuem um grau de mortalidade infantil 12,6 vezes pior do que os países de pior pegada ecológica, ou seja, a atual geração dos países “sustentáveis” que está nascendo tem uma chance 12,6 menor do que os países "não sustentáveis”.

Poderíamos traçar uma curva de sustentabilidade versus mortalidade infantil e se veria que quanto mais “sustentável” for o país menos sustentável é a vida de sua geração futura.

Parece ridículo, mas temos um índice de sustentabilidade que indica o inverso que ocorre nos dias atuais, exatamente o inverso! Ou seja, como parâmetro de possibilidade de vida das próximas gerações dever-se-ia procurar a maior pegada ecológica possível.

O que se pode dizer é que por motivos históricos, sociais e econômicos a lista dos países “sustentáveis” é realmente uma lista de miséria provinda de fatores como a opressão colonial e o domínio tecnológico. Porém não se pode utilizar um índice que friamente conduz a resultados inversos do que apregoam seus idealizadores, pois ele é completamente distorcido, indicando não um ideal de comportamento humano, mas sim a realidade de quem é miserável consome muito menos de quem é rico a tal ponto de comprometer a vida de suas próximas gerações.

Fonte: Jornal GGN
Link: http://jornalggn.com.br/noticia/os-problemas-da-pegada-ecologica-como-metrica-de-sustentabilidade
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