OMS eleva risco global de crise com coronavírus e derruba mercado

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Nova pneumonia viral mata mais de 80 pessoas em quatro semanas desde o primeiro alerta. EUA e Alemanha recomendam evitar viagens à China. Bolsas caem pelo mundo com o temor de impacto negativo da crise na economia

Há quatro semanas, a Organização Mundial da Saúde (OMS), sediada em Genebra (Suíça), tenta descobrir se o coronavírus tem potencial de se tornar uma “emergência de saúde global”, um termo adotado para epidemias que exigem certa reação internacional, como a gripe suína H1N1, o vírus zika e a febre ebola. Ontem, a instituição considerou oficialmente “elevado” o risco mundial da doença – antes era descrito como “moderado”.

O número de mortes atribuídas ao coronavírus subiu para 82, com pelo menos 2.887 casos confirmados no mundo, sendo 2.827 na China continental. Ontem, Pequim confirmou a primeira morte pela pneumonia. O Brasil ainda não registrou nenhum caso.

Já a Alemanha confirmou, ontem, o primeiro caso do novo coronavírus no distrito de Starnberg. O paciente está em boas condições e isolado, com monitoramento constante.

O primeiro alerta sobre a nova doença foi recebido pela OMS em 31 de dezembro de 2019. As autoridades chinesas alertaram para o surgimento na cidade de Wuhan, de 11 milhões de habitantes, de uma série de casos de pneumonia de origem desconhecida.

Ontem, o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, se reuniu com autoridades chinesas, em Pequim, onde discutiram como conter a doença.

Multiplicaram-se as previsões pessimistas sobre o impacto do coronavírus na economia chinesa, como uma paralisia do turismo e a queda do consumo. Autoridades dos EUA pediram que os cidadãos americanos reconsiderem seus planos de viagem para a China. A Alemanha também pediu aos seus cidadãos que evitem as viagens à China que “não são indispensáveis”, devido à extensão da epidemia.

O coronavírus já afeta até o mercado financeiro. Os principais índices da Bolsa de Nova York tiveram, ontem, sua pior sessão do ano e replicaram as quedas registradas nos mercados da Europa e da Ásia.

Já o preço do petróleo voltou a cair, ontem, derrubado pela possibilidade da propagação do coronavírus impactar na demanda da China.

Analistas da Oxford Economics disseram que o coronavírus se somou aos problemas da economia da China e, conforme for a gravidade, pode comprometer o crescimento econômico no 1º trimestre e possivelmente no 2º.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou, ontem, que ofereceu à China “qualquer ajuda necessária” para conter a epidemia de coronavírus. “Estamos em uma comunicação muito estreita com a China sobre o vírus”, tuitou Trump. “Poucos casos foram relatados nos EUA, mas estamos muito atentos. Oferecemos à China e ao presidente Xi (Jinping) toda a ajuda necessária. Nossos especialistas são extraordinários!”.

Na internet chinesa, sobram críticas aos dirigentes da província onde surgiu a epidemia. “São políticos incompetentes e irresponsáveis”, disse um usuário do Weibo, o equivalente chinês do Twitter.

Estimativa

Cientistas de Hong Kong afirmaram que o número de casos do vírus de Wuhan pode superar 40 mil e, por este motivo, consideram que os governos devem adotar medidas drásticas para limitar os deslocamentos da população se desejam deter a propagação da epidemia. Os cientistas da Universidade de Hong Kong advertiram para uma aceleração da propagação do coronavírus. Com base em modelos matemáticos da propagação do vírus, a equipe antecipa que o número real de contágios é muito superior ao balanço das autoridades, que considera apenas os casos formalmente identificados.

Vacina a caminho

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que laboratórios americanos vão começar a fazer testes contra o coronavírus, e a expectativa é que uma vacina fique pronta no 2º semestre.

Férias prolongadas

A China decidiu ontem prolongar por três dias as férias do Ano Novo para adiar o grande fluxo nos transportes e reduzir o risco de propagação do novo coronavírus.

Fronteira bloqueada

A Mongólia decidiu, ontem, bloquear os pontos de passagem terrestres para evitar a propagação do vírus. É o 1º país vizinho a fechar sua fronteira com a China.

Fonte: Diário do Nordeste, editoria Mundo

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