Número de brasileiros com dívidas cresce 67,5%

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Em abril, o número de famílias endividadas no Brasil alcançou recorde histórico. É o que aponta a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que aponta para um percentual de 67,5% no número de pessoas com dívidas no mês.
O presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que esse aumento no endividamento era esperado. Segundo ele, o índice vinha crescendo nos últimos meses, diante dos impactos da pandemia na renda dos consumidores. Apesar da nova complementação emergencial do governo e de haver uma melhora na geração de vagas, no mercado de trabalho formal, ele explica que a regularização de dívidas costuma demandar mais tempo.

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“Mesmo com as dificuldades, a população média tem conseguido manter um nível de consumo, graças ao mercado de trabalho, mas tem usado mais o crédito. E é isso o que impulsiona o nosso setor, que por sua vez ajuda a economia a andar. Porém, apenas com a imunização coletiva poderemos acelerar essa equação e permitir que as famílias descomprometam seu orçamento da forma como está hoje”, destaca JoséTadros.

O grande vilão dos endividados continua sendo o cartão de crédito. A modalidade de pagamento atingiu o recorde histórico de 80,9% do total de famílias, tanto as de maior renda como as de menor renda.
Cheque especial e crédito consignado também se destacaram entre as modalidades mais procuradas na passagem mensal, assim como os financiamentos de casa e carro, pela elevada liquidez e juros ainda baixos.

Inadimplência

Embora o alto endividamento, a pesquisa da CNC observa que, em relação à inadimplência, pelo oitavo mês consecutivo, o percentual entre as famílias que têm dívidas em atraso caiu. Em abril, a inadimplência atingiu 24,2% dos brasileiros, o que representa 1,1 ponto percentual abaixo do apurado no mesmo período de 2020.
A parcela dos brasileiros que declararam que não terão condições de pagar contas ou dívidas e que permanecerão inadimplentes também caiu ligeiramente, na passagem mensal, para 10,4%, mas teve alta de 0,5 ponto percentual em relação a abril passado.

Organização

A economista da CNC, Izis Ferreira, responsável pela pesquisa explica que a perda e o comprometimento da renda durante a pandemia levaram os consumidores de menor poder aquisitivo a se reorganizarem para fechar as contas de seus orçamentos. “Com o valor atual menor do auxílio emergencial, essas famílias estão restringindo gastos até o limite para quitar seus compromissos financeiros. Ainda assim, com a crise, muitos são empurrados para um maior endividamento”, afirma.

A pesquisa aponta, ainda, que em relação ao endividamento, nas famílias com renda de até dez salários mínimos, o percentual de endividadas cresceu de 68,4% para 68,6%. Para as famílias com renda acima de dez salários, essa proporção teve ligeira queda, após quatro fortes altas. Já no que se refere à inadimplência, houve o movimento oposto no período. A proporção de famílias com contas ou dívidas em atraso na faixa de até dez salários mínimos caiu de 27,2%, em março, para 26,9%, em abril, atingindo a menor proporção desde janeiro de 2020. Já no grupo com renda superior a dez salários mínimos, o percentual aumentou de 12,2%, em março, para 12,3% em abril – maior proporção desde abril de 2018.

O Estado

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