
Em palestra sobre a análise da conjuntura atual, Eduardo Moreira (ICL) conclama os fazendários a enxergarem as pessoas através dos números
Na abertura do IX Conefaz, no dia 8 de novembro, o empresário, escritor e apresentador Eduardo Moreira, fundador do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), aceitou o desafio de fazer uma reflexão profunda sobre a complexidade do mundo contemporâneo. “Análise da atual da conjuntura política, econômica e socioambiental: Desafios para um novo Brasil”, foi o tema de sua palestra, que prendeu a atenção do público.
Inicialmente, o diretor de Comunicação do Sintaf, Nilson Fernandes, reforçou a trajetória de lutas do Sindicato dos Fazendários do Ceará (Sintaf), que completa 35 anos em dezembro deste ano. “Não há avanço na Secretaria da Fazenda em que o Sintaf não esteja presente. Aproveitamos a oportunidade para reconhecer todas as gestões que construíram este sindicato”, expressou.
O apresentador Eduardo Moreira, eleito um dos três melhores economistas do Brasil em 2016, externou que o Sindicato foi muito feliz em escolher a temática. “As questões políticas, econômicas e tecnológicas estão interligadas. Nos três casos, corremos um risco muito grande, de incertezas. E quando olhamos para o planeta, estamos à beira do abismo e não há plano B. Por isso eu resolvi assumir recentemente, com coragem, o meu pessimismo. Mas não é um pessimismo de quem fica em casa, mas de quem fica indignado o suficiente para fazer o que é preciso”, declarou.
Moreira afirmou que o Instituto Conhecimento Liberta (ICL) nasceu da necessidade de fazer algo pelas pessoas mais vulneráveis do país. “Eu apresento um programa jornalístico todo dia, pela manhã. Falamos da expectativa do crescimento, da inflação, da trajetória das dívidas dos países. Só que antes de tudo isso eu quero fazer um convite: esquece os números e vamos colocar as pessoas no primeiro lugar da fila. Precisamos humanizar nosso discurso, nossos ofícios; o que eu faço reflete na vida das pessoas. Senão, de repente estaremos comemorando que o crescimento não vai ser 1%, vai ser 3%. Mas esses 3% vão parar nas mãos de quem?”
Ele tomou, como exemplo, a reforma tributária, em que os impostos permitem que o governo arrecade uma parcela da riqueza produzida no país e redistribua, via políticas públicas e transferência de renda, promovendo qualidade de vida para quem mais precisa. “Aí reforma tributária começa a ter outro significado. Mas a pergunta certa é: de quem estamos tirando e para quem estamos distribuindo?”.
Para Eduardo Moreira, a reforma tributária não taxa, de fato, os super ricos, e poderia ir além dos impostos de consumo. “Se nós acreditarmos que fazendo uma reforminha aqui e ali estamos fazendo mudanças estruturais, vamos dar com a cara na parede. Temos que lutar por mudanças de verdade. Queremos menos sofrimento, menos desigualdade, mais dignidade”.
O apresentador alerta que, caso as reformas estruturais não aconteçam, a tendência é de agravamento das desigualdades. No Brasil, em 2022, a renda per capita da metade mais pobre da população, por mês, era de R$ 500. “Alguém que ganhe R$ 500 consegue ter uma vida digna? Pensem no filho de vocês. Não existem dois tipos de gente”, salientou. “Se não mudar a desigualdade, não tem solução. Não adianta crescer o bolo. Pode fazer o debate que quiser. Isso é uma conta”.
Segundo Eduardo Moreira, o governo poderia virar o jogo redistribuindo poder, ou seja, alocando recursos em programas da sociedade civil organizada, como associações, sindicatos e pequenos agricultores.
Sobre o avanço da inteligência artificial, o apresentador alertou que a tecnologia pode significar oportunidades, por um lado, mas ela não garante empregabilidade, sobretudo para os descartáveis da sociedade.
Por outro lado, a questão climática ficou em segundo plano desde a pandemia e, logo em seguida, foi ofuscada mais uma vez pelos conflitos mundiais na Ucrânia e, agora, na Palestina. “Entrando na área socioambiental, quando verificamos os números dos desastres ambientais e desalojados nas últimas décadas, quem são os mais afetados? São as pessoas que moram nos países mais pobres”, refletiu o palestrante.
Para Eduardo Moreira, os tempos atuais exigem coragem e ousadia. “Não devemos abrir mão das nossas causas. Nossa luta é contra um modelo injusto; é isso que temos que perseguir até o último dia de nossas vidas”, convocou.









