Na fase 2 de novo Plano de Contingência da Covid, CE se prepara para combater possível segunda onda

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Legenda: O plano traz orientações atualizadas aos profissionais da saúde e à população sobre como proceder no atual momento de pandemia
Foto: Camila Lima

Com 312.068 casos confirmados e 9.762 óbitos causados pela Covid-19, conforme a última atualização do IntegraSus, o Ceará está na fase 2 – caracterizada por perigo iminente- para uma possível segunda onda. Especialistas recomendam cautela na avaliação de um cenário de estabilização e se anteveem a um novo pico, como já ocorrera em países europeus. A Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) divulgou, ontem, nova versão do “Plano Estadual de Contingência contra a Doença pelo Coronavírus (Covid-19)”, com recomendações técnicas aos profissionais da saúde e à população sobre como proceder no atual momento. No documento atualizado, as ações são divididas em cinco fases.

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A primeira – considerada de Alerta- tem o foco no controle de casos e diagnóstico precoce. Aponta articulação em prol de “medidas conjuntas de prevenção e controle” da doença. Nesse momento, deve haver o reabastecimento do estoque de insumos e fortalecimento da testagem em massa.

Já na fase 2, etapa em que o Ceará se encontra atualmente de acordo com a Sesa, o foco é também no bloqueio de transmissão para evitar a disseminação. Determina a ampliação da comunicação com a população e profissionais de saúde e também versa sobre alocação de equipamentos e suprimentos médicos para garantir o tratamento. Tudo isso, acompanhado pela monitorização da taxa de ocupação de leitos.

 

A próxima fase é mais radical. Na fase 3, as ações para redução da mortalidade e intensidade da pandemia são o foco. Nessa fase serão restringidas as atividades econômicas e comportamentais, além do uso de barreiras sanitárias e fechamento de fronteiras, uma espécie de “lockdown”. Prevê também a reativação dos hospitais de campanha e Postos de Atendimento Médico nas regiões de saúde, bem como a ampliação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs). Outras medidas dessa etapa incluem a redução de cirurgias eletivas.

Somente quando a desaceleração do crescimento no número de casos for constatada é que se inicia a fase 4. Nesse período, os protocolos de retorno das atividades serão atualizados, de acordo com o monitoramento dos indicadores. Por fim, na fase 5, o plano de contingência será desativado, uma vez que a emergência for encerrada no Ceará.

Mudanças 

A secretária Executiva de Vigilância e Regulação da Sesa, Magda Almeida, ressalta que a atualização do plano acontece sempre quando há grandes mudanças nas diretrizes, na infraestrutura ou nas recomendações para o enfrentamento da Covid-19.

Magda lembra que os níveis de alerta também são flexíveis e mutáveis de acordo com o cenário epidemiológico vigente, por isso “ele precisa estar sendo atualizado constantemente”.

“Nessa versão, precisamos inserir a proposta de imunização e a proposta de reativação caso seja necessário”, pontua.

A disposição do documento assinado pelo secretário da Saúde do Ceará, Dr. Cabeto, expressa a importância da “notificação e da investigação imediata de todos os casos suspeitos e contatos”, para identificar e interromper surtos da doença. O titular da Sesa lembra ainda que o Ceará “soube suportar a 1ª onda com estratégias bem definidas” e reforça ser fundamental que as estruturas de Estado estejam preparadas e orientadas para garantir uma rápida resposta ao enfrentamento da Covid-19.

O Plano atualizado estabelece, portanto, diretrizes de como devem proceder a vigilância epidemiológica, sanitária, laboratorial e a imunização, atenção primária à saúde e as ações de comunicação e divulgação. Atualiza as condutas terapêuticas realmente eficazes, reorganiza a rede laboratorial e reforça o RT-PCR como o principal exame diagnóstico para Covid-19.

Leitos 

O atual cenário pandêmico não carece, segundo a secretária executiva, de reativação massiva de leitos nas unidades hospitalares. No entanto, ela confirma que os hospitais de campanha voltam a receber pacientes. “Se controlarmos a velocidade de disseminação do vírus, não haverá a necessidade de reativação massiva dos leitos hospitalares. A ocupação da rede privada já se encontra estável com tendência de queda após aumento da sua ocupação. Os hospitais da rede Sesa também foram orientados a possuírem enfermarias e alas Covid considerando que mesmo na fase residual, precisaremos de leitos Covid de diferentes perfis”, explica. Ela lembra ainda que os hospitais de campanha da rede estadual do Ceará não foram desativados.

Vacinação 

O Plano de Contingência também estima o montante financeiro necessário para viabilizar a logística de vacinação do grupo prioritário no Estado tão logo o imunizante esteja disponível. De acordo com a Sesa, serão gastos mais de R$ 7,5 milhões. Esse valor não inclui as doses do imunizante, mas sim, a compra de seringas, câmaras refrigeradas, computadores, equipamentos para os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), dentre outros insumos.

Dos R$ 7.542.300 estimados, o Governo do Estado vai custear R$ 1.569.816,50 referentes à compra das seringas. O restante deverá ser repassado via portaria de investimento do Governo Federal.

A vacina será aplicada primeiramente nos grupos prioritários atendendo a ordem de quatro categorias. A primeira terá trabalhadores da saúde, idosos a partir de 75 anos de idade, pessoas com 60 anos ou mais que vivem em instituições de longa permanência (como asilos e instituições psiquiátricas) e população indígena. Na segunda serão as pessoas entre 60 a 74 anos.

A terceira categoria contempla aqueles com comorbidades que apresentam maior chance para agravamento da doença (pessoas com doenças renais crônicas, cardiovasculares, entre outras) e a quarta os professores, os integrantes das forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e população privada de liberdade. Esses grupos totalizam 1.794.076 pessoas. A meta é imunizar pelo menos 95% desse público.

 

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