Multinacionais deixam o Brasil e sinalizam cenário futuro negativo

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A saída de grandes empresas do País mostra uma tendência negativa no cenário econômico para o futuro próximo. Segundo economistas, mais empresas podem desistir do país. A migração da montadora Ford para a Argentina foi apenas um dos aspectos mais marcantes desta fase. A Sony decidiu não fabricar nem vender no país os equipamentos de áudio e câmeras, abandonando a Zona Franca de Manaus.

Foram-se também a farmacêutica suíça Roche e o laboratório americano Eli Lilly. A varejista francesa L’Occitane fechou lojas no país, e a americana Walmart, maior rede de varejo do mundo, repassou os ativos que tinha aqui. Mesmo em áreas de crescimento, como a construção civil, há casos, como o da cimenteira franco-suíça LafargeHolcim.
A cada partida, muitos ponderam que sempre é preciso considerar a situação particular de cada empresa e que o Brasil seria até uma vítima circunstancial da pandemia. Henrique Meirelles, atual secretário estadual da Fazenda e do Planejamento em São Paulo, lembra que a equação para uma tomada de uma decisão tão radical quanto deixar um país é complexa.

Meirelles lembra que decisões de negócios também consideram o potencial de retorno de mercado em cada país. Nesse critério, o Brasil não está em seu melhor momento e não há sinais visíveis de melhoras. “A empresa tem de enxergar uma expansão de vendas, e, para que isso ocorra, o país precisa crescer, e o governo precisa divulgar suas oportunidades lá fora”, afirma. “Não temos uma boa história para contar ao investidor, com bons números, e, para o país voltar a crescer, é preciso obedecer ao teto de gastos, ter discurso que inspire confiança.”

A recessão global freou o investimento direto estrangeiro no país em 2020 e estimulou a repatriação de capitais pelas empresas transnacionais brasileiras. A entrada líquida de investimento estrangeiro no país no ano passado teve uma queda de 50,6% em relação a 2019. Em março, o investimento estrangeiro cresceu 17% em relação a fevereiro, de acordo com o Banco Central. Do ponto de vista do Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil não cresce, de fato, desde 2014. Segundo Rafael Cagnin, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, a má gestão da pandemia coloca a economia sob mais incertezas. “O governo poderia ajudar a reduzir graus de incerteza, mas não faz isso.”

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