Mulheres que Incluem: Marta de Sousa e o Café Solidário que alimenta e acolhe

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Eles foram chegando aos poucos e passaram a dormir na calçada do Contencioso Administrativo Tributário (Conat). Aos olhos mais sensíveis, era impossível não enxergar. Primeiro, foram estabelecidos os vínculos afetivos: um bom dia, boa tarde, a doação de alimentos ou remédios. Mas era preciso fazer mais. “A iniciativa do Café Solidário Conat/Sefaz nasceu do olhar ao nosso redor. Convivíamos diariamente com aquelas pessoas em situação de risco pelo uso de álcool e drogas. Alguns ficaram famosos entre os servidores, como foi o caso do Faísca, um catador de material reciclável”, conta Marta de Sousa, presidente do Conat.

Formada em Serviço Social, Marta é Auditora Fiscal Adjunta da Receita Estadual e ingressou na Sefaz há 30 anos. Foi supervisora de célula, diretora de núcleo, conselheira no Conat, chefe da Célula de Julgamentos, até chegar à Presidência do Contencioso. Escolhida para participar da série de matérias “Mulheres que Incluem”, por ocasião do Mês da Mulher, ela ressalta que a iniciativa do Café Solidário não é apenas sua, mas dos servidores do Conat. No entanto, toda ação solidária tem um idealizador: aquele que se compadeceu primeiro com a dor do outro e mobilizou todos ao seu redor.

A iniciativa teve início em 2019, com a intenção de resgatar as pessoas em situação de risco. “E para isso nós começamos com o alimento, que é uma necessidade urgente. Além do café-da-manhã, que acontece toda terça-feira bem cedo, levamos para eles uma oração e falamos da importância de sair do mundo das drogas – claro que numa abordagem inicial, pois não somos profissionais da área; nosso remédio maior é o amor”, conta a servidora.

Antes da pandemia, os servidores serviam café da manhã para um grupo de 35 a 40 pessoas, em média, que vivem em situação de rua no entorno da Sefaz. “Quando começou o isolamento, paramos por uma semana e em seguida já retomamos. Mas o café foi tomando uma proporção maior e começaram a vir pessoas de outros locais, porque a fome aumentou. Passamos a atender cerca de 70 pessoas”, relata Marta de Sousa.

O Sintaf já contribuiu com a iniciativa, assim como a Fundação Sintaf e vários fazendários. No entanto, em tempos de pandemia, o mais complicado é ir para a linha de frente, em um contato mais próximo com os assistidos. “No ano passado tivemos a ajuda da Associação dos Amigos do Evangelho da Beira-Mar (AMEBEM), que passou praticamente 10 meses entregando o café da manhã por nós. Mas eles também passaram por problemas com o adoecimento de trabalhadores. Em janeiro desse ano, nós, do Conat, passamos a distribuir novamente. Mas houve nova suspensão recentemente, pelo adoecimento de metade da equipe que estava neste serviço”, explica Marta.

Ao mesmo tempo em que lamenta a suspensão do Café Solidário, Marta se diz esperançosa com o retorno do serviço, em breve. “Sabemos que essa ação é importante para eles, mas é ainda muito mais gratificante para nós”, finaliza.

Aos servidores que desejarem se unir a esta ação, basta entrar em contato com a própria Marta (marta.sousa@sefaz.ce.gov.br) ou com Ana Paula (paula.porto@sefaz.ce.gov.br).

 

 

 

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