Mulheres que Incluem | Gorette Carvalho e o projeto que ajuda crianças e adolescentes vulneráveis no bairro Curió

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“O desejo do meu coração é criar, no coração daquelas crianças, uma esperança de vida”, afirma Gorette Carvalho, auditora fiscal da Secretaria da Fazenda (Sefaz) e voluntária do projeto Amiguinhos de Jesus, uma iniciativa que trabalha com crianças e adolescentes da comunidade do bairro Curió, em Fortaleza. A servidora, que atua junto à Sefaz há 30 anos e atualmente está lotada no Posto Fiscal do Mucuripe, participa do projeto Amiguinhos de Jesus desde 2016. Convidada pelo Sintaf a fazer parte da série de matérias “Mulheres que incluem”, ela conta como a iniciativa faz parte da sua vida:

“O projeto Amiguinhos de Jesus, onde eu e minha família servimos, nasceu no coração de uma amiga chamada Meire, e começou pela necessidade de ajudar as crianças carentes que moram na comunidade do Curió. Ela foi uma criança carente que cresceu lá, e sempre teve essa vontade de contribuir, então, quando seu marido disse ‘olhe para cá, nós estamos dentro de um espaço propício para servir’, ela deu início. Começou com oito crianças, e quando eu e meu marido começamos a servir, já eram trinta. A gente ia toda quarta, fornecia lanches, brincadeiras e palavras de estímulo. O desejo do meu coração era criar, no coração daquelas crianças, uma esperança de vida”, relata Gorette.

A fazendária explica que os voluntários buscam dar novas perspectivas às crianças. “Eu lembro que quando comecei, em 2017, eu perguntava qual era sonho delas, o que elas sonhavam na vida, e elas não tinham sonhos. Aquilo acabava comigo. Eu perguntava ‘o que você quer ser?’, ‘o que você quer ter?’ e elas não tinham resposta, nem pensavam nisso. Então, o que a gente busca criar para elas é uma imagem de que elas são importantes, que são amadas por Deus e que podem ser o que elas quiserem”.

Casada e mãe de dois filhos, Gorette também inseriu sua família no projeto e, juntos, dedicam alguns de seus dias a essas crianças e, consequentemente, às suas famílias. Ela explica como dividem as funções: “No começo, na hora de conversar, orar e ouvi-los, por exemplo, meu marido ficava com doze meninos e eu ficava com doze meninas, em média. Hoje em dia, são mais de duzentas crianças, entre três e sete anos (até mais), e a gente faz a divisão”.

A servidora comenta, ainda, sobre a importância que o projeto dá às crianças, mas também às suas mães, promovendo o acolhimento à família. “Sempre fazemos as festinhas com muita dedicação, a exemplo dos aniversariantes do mês; buscamos reforçar essa valorização. Procuramos, ainda, enfocar temas como pedofilia, drogas, todas as áreas. E, uma vez no mês, tentamos trabalhar com as mães, para que elas também se sintam amadas e possam amar os seus filhos. Nós temos o cadastro de todos e fazemos um acompanhamento”, aponta.

Gorette Carvalho pontua que a iniciativa tem apresentado resultados positivos na comunidade. “A Meire e o Deuzanir, idealizadores do projeto, dizem o quanto diminuiu, por exemplo, o número de meninas que eles levavam para ganhar bebê. É uma comunidade carente, com muitas crianças que são criadas no meio de muita violência, mas a melhoria é perceptível. O projeto busca resgatá-las e, juntos, estamos ajudando a mudar esse panorama”, finaliza.

:: Acompanhe a série de matérias “Mulheres que incluem” para conhecer outras iniciativas inspiradoras

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