“Mulheres em risco”: seminário do Sintaf debate enfrentamento à violência de gênero

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“Mulheres em risco: reconhecer, enfrentar e transformar” foi o tema do seminário alusivo ao Dia Internacional da Mulher, promovido na manhã desta sexta-feira (13) pelo Sindicato dos Fazendários do Ceará (Sintaf), no auditório da Sefaz.

A iniciativa foi motivada pela preocupação com os índices crescentes de violência contra a mulher em uma sociedade que, ainda hoje, insiste em silenciar, dominar e assediar as mulheres, chegando, em muitos casos, aos extremos da violência física e do feminicídio.

Proteger as mulheres é dever de todos

Na mesa de abertura, a coordenadora regional do Sintaf no Cariri, Célia Elói, lembrou que aquela região concentra alguns dos maiores índices de feminicídio do Ceará. “Somos todos responsáveis nessa luta para melhorar este momento pelo qual o nosso país está passando. Precisamos nos conscientizar do nosso papel. Um dos nossos propósitos de vida deve ser melhorar as condições de vida das mulheres e ensinar que a vida delas importa”, reforçou.

Célia Elói é coordenadora regional do Sintaf no Cariri

Sandra Valda, vice-presidente da AAFEC, parabenizou o Sintaf pela iniciativa e destacou a educação como fator de prevenção. “Quando educamos filhos e netos para o respeito, ensinamos que o outro não pode ser tratado como propriedade.”

Além da educação, a independência financeira das mulheres também foi ressaltada como fator primordial, na visão da diretora financeira da Cafaz Saúde, Ivany Araújo. “O bem-estar mental também é um fator de força para as mulheres”, completou.

Presente ao evento, a secretária executiva da Receita Estadual, Liana Machado, lembrou que o combate à violência não é uma tarefa apenas das mulheres, mas também dos homens. “Esse problema perpassa toda a sociedade. Mas onde está a ferida, pode estar a nossa missão. A mulher, pela sua humanidade, abraça essa luta pela justiça, pela igualdade e pela educação”, pontuou.

O seminário também deu voz à presidente da Comissão Setorial de Assédio Moral, Yvelise Sales, que reforçou a necessária luta para superar o problema. Dentre as reivindicações está um protoloco contra o assédio, ou seja, a implantação de normas claras e efetivas contra o assédio moral e sexual, garantindo um ambiente de trabalho seguro, respeitoso e livre de violência.

Para desconstruir o ciclo de violência

A primeira palestra, com a professora doutora Ana Rita Fonteles (UFC), trouxe o tema “Desconstruindo o ciclo: o papel das masculinidades na interrupção da violência”. Em sua exposição, a pesquisadora destacou o crescimento de comunidades masculinistas nas redes sociais, que capitalizam frustrações e ressentimentos de homens contra as mulheres. Segundo ela, esse movimento tem contribuído para o agravamento de episódios de violência, mesmo diante dos avanços globais na conscientização sobre direitos e no enfrentamento de práticas abusivas.

“Mulheres têm 27 vezes mais chances de serem atacadas ou assediadas no ambiente digital que homens” (Comissão sobre a Situação da Mulher – CSW67/ONU Mulheres, 2023).

A professora doutora Ana Rita Fonteles é docente do Departamento de História da UFC e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em História e Gênero

Ao final, a professora Ana Rita Fonteles sugeriu uma série de ações — agenda que considera urgente —, entre as quais a aprovação de marcos regulatórios que estabeleçam responsabilidades para as plataformas digitais, a criação de campanhas de conscientização sobre a misoginia online e o apoio e investimento em políticas de debate e promoção da equidade de gênero nas escolas. Defendeu, ainda, a construção de um pacto contra o feminicídio, que inclua a disseminação de informações sobre os direitos de meninas e mulheres em toda a sociedade, a capacitação de agentes públicos com perspectiva de gênero e o enfrentamento do machismo estrutural e da violência digital contra meninas e mulheres.

Evelucia Melo é psicóloga clínica e institucional, arteducadora, arteterapeuta e psicomotricista relacional; cofundadora do Instituto Felipe Martins de Melo

Ações e relações para fortalecer o feminino

Em seguida, a psicóloga Evelucia Melo conduziu a vivência “Tecendo ações e relações para fortalecer o feminino”. A atividade convidou os participantes a resgatarem a força interior que advém da ancestralidade — representada pelas mulheres que marcaram suas trajetórias —, bem como da liberdade, do compartilhamento das experiências e da construção de redes de apoio.

Ao final do encontro, houve distribuição de brindes e sorteio de livros com temáticas relacionadas às lutas das mulheres e ao seu fortalecimento.

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