Mercado financeiro prevê PIB maior e inflação menor em 2022

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|Boletim Focus| Mas, apesar da projeção de melhora dos indicadores, analistas temem impacto de instabilidade política interna e de crise global

Na esteira da reabertura econômica, da criação de empregos e dos fortes estímulos fiscais às vésperas da eleição, o mercado financeiro se mostra cada vez mais otimista com o crescimento econômico este ano. Conforme o Relatório Focus divulgado ontem a projeção para a alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 avançou de 1,93% para 1,97%. Há um mês, o aumento esperado era de 1,51%.

Também houve melhora em relação às projeções para a inflação diante das desonerações sobre combustíveis e energia e da queda do preço da gasolina. A estimativa para o IPCA de 2022 cedeu pela quinta semana consecutiva, de 7,30% para 7,15%.

IPCA longe da meta do BC

Os porcentuais, no entanto, continuam a apontar para três anos consecutivos de estouro da meta a ser perseguida pelo Banco Central, após o descumprimento já observado em 2021, com o IPCA de 10,06%. O alvo para 2022 é de 3,50%, com tolerância superior de 5,00%, enquanto, para 2023, a meta é de 3,25%, com banda até 4,75%.

No Comitê de Política Monetária (Copom) de junho, o BC indicou que mira algo mais próximo do centro da meta no ano que vem do que sua projeção atual (4,0%).

O relatório de Mercado Focus também mostrou um maior otimismo do mercado financeiro para a relação entre o resultado primário e o PIB deste ano, com o mercado prevendo maior superávit, de 0,22% para 0,30%. Há um mês, a mediana era positiva em 0,10%. Já a relação entre déficit nominal e PIB em 2022 continuou em 6,80% ante 6,70% de quatro semanas antes.

Incertezas preocupam

Porém, especialistas alertam para o “efeito rebote” que esses indicadores podem ter em 2023. Para o ano que vem, por exemplo, a estimativa para a dívida líquida em relação ao PIB se deteriorou, de 63,60% para 63,80%, de 62,00% há um mês.

E a previsão para inflação em 2023 avançou de 5,30% para 5,33%, a 17ª alta seguida. “Porque o mercado entende que essa modificação do ICMS tem um efeito temporário”, explica o professor de economia e finanças do Centro Universitário Estácio do Ceará, Thiago Holanda.

Ele pondera também que, apesar da melhora de indicadores, o cenário econômico ainda é de muitas incertezas. “Estamos vivendo um momento de muitas dúvidas, tanto no cenário político quanto econômico. Por exemplo, o Brasil nós estamos em ano eleitoral.”

Além disso, o cenário global não está favorável. “A situação, infelizmente, ainda não melhora muito para o Brasil porque a China, que hoje é o nosso principal parceiro comercial, já está reduzindo as suas expectativas de crescimento para esse ano e para o ano que vem”.

O vice-presidente do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (Ibef-CE),Ênio Area Leão, também pontua que essa melhora de perspectiva econômica vem no embalo do aumento de gastos do Governo.

“O Governo continua colocando muito dinheiro na economia. Esses auxílios devem acelerar a economia no curto prazo. Mas o mercado também espera que o próximo ano isso tenha que ser diminuído e aí vai vir uma ressaca, né? Vai vir uma redução da atividade econômica.” (Com Agência Estado)

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