Médicos alertam sobre cenário epidemiológico do Estado

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Em carta aberta, profissionais criticam “relativização” da eficácia das vacinas e manifestam preocupação com cenário epidemiológico do Estado

O Coletivo Rebento, que reúne cerca de 200 médicos cearenses, fez um alerta sobre o que classificou como “explosão de casos de Covid-19 e Influenza” no Ceará. O alerta foi feira em carta aberta divulgada nesta terça-feira, 18. O grupo aponta a necessidade de que sejam tomadas medidas urgentes para frear o número de contaminações e de mortes relacionadas às infecções respiratórias e manifestou posição favorável à vacinação de crianças entre cinco e onze anos.

No documento, os profissionais afirmam que o cenário epidemiológico do Estado poderia estar em situação ainda mais preocupante, não fosse a imunização em massa da população contra o novo coronavírus. “Estamos vivendo uma elevação significativa no número de novas pessoas infectadas pela Covid-19. Uma crescente exponencial, ao mesmo tempo em que, ainda bem, somos um estado e uma cidade [Fortaleza] com taxa de cobertura vacinal acima de 70%”, diz trecho da carta.

No texto, os médicos ainda manifestam preocupação pelo que chamam de relativização da vacina, corrente formada por pessoas contrárias à vacinação e que questionam deliberadamente, por meio das redes sociais, a eficácia dos imunizantes — já comprovada cientificamente em estudos e testes laboratoriais. “É muito importante que neste momento não haja nenhuma comunicação relativizando a eficácia das vacinas. A ciência já documentou muito claramente: a vacinação, especialmente a vacinação completa, com duas doses e o reforço, evita adoecimento pela Covid, especialmente a variante Ômicron, e evita complicações”, reitera o documento.

Junto com a relativização da eficácia da vacina, o grupo manifesta preocupação ao indicar que há um número cada vez maior de pessoas que “naturalizam” o risco da doença, negligenciado cuidados básicos, como o uso de máscara e distanciamento. Os profissionais alertam que, caso a postura não seja revista por essa parcela da população, a tendência é que o Estado volte a ter sua rede de assistência hospitalar pressionada pelo aumento na demanda por internações em leitos clínicos e de UTI.

“Em pouco tempo, se continuarmos com essa postura, a quantidade de pessoas infectadas será tão grande que, mesmo com chance relativamente pequena de haver complicações, em números absolutos haverá muita gente adoecendo de forma séria. A quantidade de pessoas que vão precisar de hospital, de UTI, que vão adoecer gravemente, a quantidade de pessoas que vão morrer será muito grande”, enfatiza a carta.

Os profissionais defendem que, diante do atual quadro da pandemia no Ceará, as atitudes mais corretas são o respeito às medidas sanitárias de prevenção ao contágio e ampliação do processo de vacinação para o público infantil, além da aplicação massiva da dose de reforço em gestantes, pessoas com comorbidades e idosos.

O grupo ainda fala em tornar o uso de máscaras PFF-2/N95 uma política de saúde pública, de forma que os governos façam a distribuição gratuita do item de proteção para as pessoas mais expostas à circulação viral, a exemplo das que usam transporte coletivo ou aquelas que trabalham em serviços de atendimento ao público e nos equipamentos de saúde.

Leia a carta na íntegra:

Explosão de casos de Covid-19 e Influenza no Ceará. É preciso agir com urgência para frear o número de novos casos e evitar internações e mortes.

Estamos vivendo elevação significativa no número de novas pessoas se infectando pela Covid-19. Uma crescente exponencial, ao mesmo tempo em que, ainda bem, somos um estado e uma cidade com taxa de cobertura vacinal acima de 70%. Ao mesmo tempo, vivemos uma epidemia de Influenza.

É preciso ter serenidade e ao mesmo tempo seriedade em interpretar essa realidade, para apontar quais são as políticas públicas mais adequadas e para onde aponta a ciência.

Isso é muito importante para preservar vidas, evitar adoecimentos, agravamentos e principalmente para evitar mortes. Mortes que podem ser evitadas com escolhas de política pública.

É muito importante que neste momento não haja nenhuma comunicação relativizando a eficácia das vacinas. A ciência já documentou muito claramente: a vacinação, especialmente a vacinação completa, com duas doses e o reforço, evita adoecimento pela Covid, especialmente a variante Ômicron, e evita complicações.

A primeira grande chamada à ação que nós, do Coletivo Rebento, fazemos é: não relativize a eficácia da vacina. Quem ainda não completou seu esquema vacinal faça isso. Que as crianças sejam vacinadas. As vacinas são seguras para crianças, gestantes, pessoas com comorbidades e idosos.

Quando alguém “naturaliza” a doença dizendo que “É isso mesmo”, que “a doença está espalhada e vamos todos nós adoecer” e não tomamos os cuidados, estamos expondo num primeiro momento o grupo de risco, de crianças com menos de cinco anos, de pessoas com mais de 60 anos, de pessoas com alguma comorbidade.

Em pouco tempo, se continuarmos com essa postura, a quantidade de pessoas infectadas será tão grande que, mesmo com chance relativamente pequena de haver complicações, em números absolutos haverá muita gente adoecendo de forma séria. A quantidade de pessoas que vão precisar de hospital, de UTI, que vão adoecer gravemente, a quantidade de pessoas que vão morrer será muito grande.

Então qual é a nossa responsabilidade neste momento? Continuar, cada um de nós, tomando os cuidados de barreira de vias respiratórias, usando as máscaras PFF-2/N95. Especialmente as pessoas mais expostas, que usam transporte público, que trabalham em serviços de atendimento ao público, assim como nós, profissionais de saúde, devemos fazer uso dessas máscaras. Nós, do Coletivo Rebento, entendemos que essas máscaras precisam ser fornecidas à população, como política pública. Especialmente agora, neste momento mais grave.

Além disso, seguir a vacinação, seguir no convencimento de que as vacinas são seguras. Essa falsa discussão já não cabia historicamente. E não cabe agora! As vacinas para Covid estão sendo aplicadas numa quantidade muito grande de pessoas no mundo todo, mostrando a sua segurança e a sua efetividade.

É preciso evitar aglomerações, manter o isolamento especialmente das pessoas de grupos de risco, manter a serenidade, mas também manter a responsabilidade coletiva neste momento.

Assina a carta, Dra. Liduína Rocha, integrante do Coletivo Rebento/Médicos em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS, em nome de todos os membros.

Fonte: https://mais.opovo.com.br/jornal/cidades/2022/01/19/medicos-alertam-sobre-cenario-epidemiologico-do-estado.html

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