Levantamento reforça vocação do Ceará para o hidrogênio verde

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|ANÁLISE| MME verificou que maior parte do território do estado tem nenhum ou baixo potencial para produção dessa fonte de energia por processos que envolvam gás natural ou carvão

A recente divulgação de duas notas técnicas publicadas pelo Ministério de Minas e Energia (MME) em parceria com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) sobre a viabilidade da produção de hidrogênios azul e cinza no Brasil reforçaram a vocação do Ceará para investir em hidrogênio verde (H2v), destacando expressamente a possibilidade de implementação de um hub, nesse sentido.

O uso do hidrogênio como fonte de energia é classificado internacionalmente em um sistema de dez cores que se baseiam na forma como ele é obtido ou produzido. Tanto o hidrogênio cinza quanto o azul, por exemplo são obtidos por meio do gás natural, que é a matéria-prima utilizada em 75% da produção mundial, a propósito. A principal diferença é que no caso do azul, o dióxido de carbono gerado como subproduto é capturado e armazenado ou reutilizado, enquanto no caso do cinza isso não ocorre. Por não haver essa exigência, inclusive, a produção do hidrogênio cinza é mais barata, mas também mais poluente.

O hidrogênio azul, por sua vez, é ecologicamente sustentável e mais competitivo, atualmente, que o verde, mas por ser dependente da existência ou do uso de gás natural tem sua exploração limitada a determinadas regiões. No caso do Brasil, as regiões com maior potencial para o hidrogênio azul são: as bacias petrolíferas de Campos e de Santos; partes das regiões Sul e Centro-Oeste; bem como dois pequenos trechos litorâneos do Nordeste. Nesse sentido, as notas técnicas do MME destacaram também os primeiros estudos para exploração do hidrogênio azul nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Sergipe.

O Ministério de Minas e Energia anunciou que deve divulgar até o fim deste mês, uma nota técnica sobre a produção do hidrogênio turquesa, produzido por meio da queima do metano e sem geração de gás carbônico. “O MME apresentou em 2021 proposta de diretrizes para o Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2). O PNH2 se propõe a definir um conjunto de ações que facilite o desenvolvimento conjunto de três pilares fundamentais para o sucesso do desenvolvimento de uma economia do hidrogênio: políticas públicas, tecnologia e mercado”, concluiu a Pasta, quando da apresentação das notas técnicas.

Viabilidade e potencial do H2V

Para o consultor de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Jurandir Picanço, “não há a menor viabilidade para produção de hidrogênio azul em território cearense, já que o gás natural usado nas termelétricas daqui é importado”, embora a Qair Brasil, quando assinou em julho do ano passado, um memorando de entendimento com o governo do Estado para a construção de uma planta de produção de hidrogênio verde baseada em energia eólica, tenha sido ventilada essa hipótese.

“A oportunidade que nós temos realmente é de produzir hidrogênio verde, em função desse potencial gigantesco de energia. A grande barreira que ele enfrenta é a questão do preço, mas todos os estudos mostram que a tendência, com o desenvolvimento de novos eletrolisadores, é que o hidrogênio verde fique mais competitivo até que o cinza na década de 2050 e, antes disso, já na década de 2030, ele deve estar mais competitivo que o azul”, projeta Picanço.

Ele acrescenta, contudo, que essas previsões podem ser consideradas até pessimistas dado o crescente interesse da China e da Europa em energias renováveis e no H2v, em particular. “Os chineses estão pesquisando uma tecnologia que pode tornar os eletrolisadores quatro vezes mais baratos o que impactaria positivamente toda a cadeia produtiva. Já a Europa quer reduzir sua dependência do gás natural russo, ainda mais após a invasão à Ucrânia”, cita.

“Então, se você vê olhar, é muito investimento feito a fim de encontrar alternativas para produzir o hidrogênio verde de forma mais competitiva, o que favorece o processo de implantação desse hub aqui no Ceará”, conclui o consultor de energia da Fiec.

Hidrogênios cinza e azul no Brasil

Processo de produção

Classificação por cores do hidrogênio

Preto: Gaseificação do carvão mineral (antracito1) sem captura de carbono

Marrom: Gaseificação do carvão mineral (hulha3) sem captura de carbono

Cinza: Reforma a vapor do gás natural sem captura de carbono

Azul: Reforma a vapor do gás natural com captura de carbono

Turquesa: Pirólise do metano sem gerar CO2

Verde: Eletrólise da água com energia de fontes renováveis (eólica/solar)*

Musgo: Reformas catalíticas, gaseificação de plásticos residuais ou biodigestão anaeróbica de biomassa ou biocombustíveis com ou sem captura de carbono

Rosa: Fonte de energia nuclear

Amarelo: Energia da rede elétrica, composta de diversas fontes

Branco: Extração de hidrogênio natural ou geológico

*Em fase de pré-implantação no Ceará

Fontes de origem do hidrogênio produzido no mundo

Gás natural 75%

Carvão 23%

Fontes Renováveis 2%

Fonte: O POVO

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