Com o tema “Presente e futuro do Fisco: construindo cidadania e justiça fiscal”, o X Congresso Estadual dos Fazendários do Ceará (Conefaz) teve sua abertura marcada por uma ampla reflexão sobre os desafios que moldam o Brasil contemporâneo e influenciarão os rumos do país nas próximas décadas.
A conferência de abertura, intitulada “Análise da Atual Conjuntura Política, Econômica e Socioambiental: o Brasil que emergirá de 2026″, trouxe a Fortaleza o jornalista Leandro Demori, âncora e diretor de jornalismo do ICL Notícias. A condução do painel foi de Nilson Fernandes, diretor de Comunicação, Cidadania e Cultura do Sindicato dos Fazendários do Ceará (Sintaf).
Ao iniciar os trabalhos, Nilson Fernandes destacou a expectativa em torno da décima edição do congresso, realizado a cada três anos, e ressaltou o significado do encontro para a categoria fazendária e para a sociedade. “A gente fica ansioso que chegue esse dia, para encontrar as pessoas, ver os sorrisos, captar a ansiedade de cada um, porque todo Conefaz é assim: repercute internamente e externamente”, afirmou.
Em sua fala, Nilson também relembrou a trajetória do Sintaf na construção de ações voltadas para a cidadania e o desenvolvimento social, especialmente por meio da Fundação Sintaf. Como exemplo, citou a atuação junto à comunidade Poço da Draga, localizada nas proximidades da Secretaria da Fazenda do Ceará, uma das comunidades mais antigas de Fortaleza.
Ao provocar os participantes, Nilson lançou questões que dialogam diretamente com o tema central do congresso: “Qual a nossa perspectiva? Queremos ser melhores? O que temos avançado enquanto Estado diante dessa conjuntura?”.
Um país diante de mudanças decisivas
Em sua conferência, Leandro Demori propôs uma análise da conjuntura política brasileira e dos movimentos que vêm redefinindo o cenário nacional e internacional.
Um dos pontos centrais de sua reflexão foi o encerramento de ciclos políticos que marcaram as últimas décadas no Brasil. Segundo o jornalista, o país se aproxima de um momento de transição, em que as principais lideranças que protagonizaram os debates políticos recentes tendem a deixar de ocupar o centro das disputas eleitorais.
A partir dessa constatação, Demori convidou o público a refletir sobre o futuro da política brasileira e sobre a forma como o país está construindo, no presente, as bases das próximas gerações de liderança.
Brasil no centro das disputas globais
Outro aspecto destacado pelo conferencista foi a posição estratégica do Brasil no cenário internacional. Segundo Demori, o país ocupa um espaço cada vez mais relevante em razão de suas riquezas naturais, reservas minerais e potencial energético – as chamadas terras raras – despertando o interesse de grandes potências econômicas e tecnológicas.
Nesse contexto, ele chamou atenção para a necessidade de o Brasil definir com clareza seus projetos de desenvolvimento, considerando os impactos sociais, ambientais e econômicos da exploração de recursos naturais estratégicos.
A discussão incluiu temas como a expansão das tecnologias de inteligência artificial, a instalação de data centers, a demanda por minerais críticos e os desafios relacionados à preservação ambiental.
Para Demori, pensar o futuro do país exige compreender não apenas as oportunidades econômicas decorrentes dessas transformações, mas também suas consequências para a soberania nacional e para a sustentabilidade.
Tecnologia, informação e poder
A influência das plataformas digitais e das grandes empresas de tecnologia também esteve entre os temas abordados. O jornalista analisou as mudanças ocorridas na forma como a sociedade utiliza a internet desde sua popularização até os dias atuais, destacando o crescimento do poder exercido pelas grandes plataformas sobre os hábitos, comportamentos e decisões cotidianas da população.
Durante a conferência, foram discutidos ainda os avanços e desafios relacionados à regulamentação da inteligência artificial no Brasil, bem como a necessidade de construção de mecanismos que conciliem inovação tecnológica, proteção de direitos e interesse público.
Estruturas legais e justiça tributária
Ao abordar os desafios estruturais do país, Demori também destacou questões relacionadas à legislação econômica e financeira brasileira. Segundo ele, determinadas estruturas legais permitem a manutenção de mecanismos que favorecem a concentração patrimonial e dificultam o avanço da justiça tributária, tema diretamente ligado às discussões promovidas pelo Conefaz.
Ao final da conferência, dirigindo-se aos fazendários presentes, o jornalista ressaltou a importância do papel desempenhado pela Administração Tributária na construção de uma sociedade mais justa. “Muitas vezes as pessoas enxergam o Fisco como um problema, mas existe um trabalho invisível por trás de tudo isso. E vocês precisam estar envolvidos nessa questão da estrutura legal dos fundos no Brasil, porque se fala muito de justiça tributária, mas, para além de uma reforma tributária, essa estrutura promove injustiças tributárias. Então eu sei da importância de vocês nesses debates também e espero que sejam cada vez mais ouvidos.”
Comunicação, democracia e construção de futuro
Durante o debate com os participantes, uma das reflexões levantadas por Nilson Fernandes abordou o papel da comunicação diante das transformações políticas e sociais discutidas ao longo da conferência. Em resposta, Demori argumentou que a questão vai além das estratégias de comunicação e envolve uma reflexão mais profunda sobre projetos de sociedade, valores coletivos e visões de futuro. Segundo ele, antes de discutir como comunicar, é necessário compreender quais ideias e perspectivas estão sendo construídas para orientar o desenvolvimento do país.
Encerrando sua participação, o conferencista reforçou a importância das escolhas feitas no presente para a definição dos rumos nacionais. “O jogo que estamos jogando é um jogo pesado. Não é um jogo só de economia doméstica. É o jogo que decide realmente que futuro o Brasil vai viver.”
A conferência de abertura marcou o início da programação do X Conefaz, que segue até o dia 12 de junho reunindo especialistas, gestores públicos, pesquisadores e fazendários para debater os desafios do presente e as perspectivas para o futuro do Fisco e da sociedade brasileira.

















